Questão de escolha

Nesta semana, o professor Edison fala das escolhas realizadas no momento de aceitar uma proposta de emprego.

Redação
Publicado em 06/08/2010, às 11h42

Muitas pessoas confundem salário com remuneração. O fato é que, embora os dois conceitos se complementem, eles tratam de coisas diferentes, o que poderá confundir o trabalhador no ato de uma escolha. Nem sempre a melhor, entre duas oportunidades ofertadas, será aquela que acena com o maior salário.


Vários aspectos estão em jogo na hora de uma decisão. Algumas pessoas, em momento de desespero, aceitam a primeira proposta que aparece. Em alguns casos há arrependimento. E, se o recuo ocorrer antes do final do prazo de experiência, ainda haverá prejuízo em termos de marketing pessoal, além do desgaste com a empresa.


Sempre que optar por um trabalho, você deverá ter duas coisas em mente: você precisa do trabalho; a empresa precisa de seus serviços. Portanto, trata-se de uma relação recíproca, de troca de recompensas. De um lado, o trabalhador sendo recompensado por aquilo que desempenha. De outro, a empresa obtendo resultados a partir de um trabalho executado por alguém.


Quando uma empresa decide contratar um determinado profissional, isso significa que ela fez uma boa análise do pacote de benefícios que aquele colaborador trará aos negócios. O mesmo deveria acontecer com os trabalhadores. Todo profissional deveria avaliar os diversos aspectos que permeiam uma vaga. Mas o que costumamos presenciar é algo bem diferente. Vejo trabalhadores com o foco diretamente apontado para um só aspecto: o salário. Como se esse fosse suficiente para determinar, sozinho, o começo ou o fim de uma relação trabalhista.


Eu diria que o salário, embora essencial, deve ocupar a terceira posição na escolha de um emprego. Antes dele encontra-se, primeiramente, a tarefa em si. Você deve saber exatamente qual será sua função e se o que estão lhe oferecendo poderá ameaçar princípios morais, sociais, éticos ou quaisquer de seus valores. Se a ameaça existir, “caia fora”. Pode ser que, a curto prazo, tal emprego lhe traga vantajosos benefícios, mas afirmo que, no final, você encontrará a falência profissional.


Em segundo lugar, coloco o pacote de remuneração, que engloba todo o tipo de recompensa (tangível e intangível). As gratificações tangíveis são facilmente calculadas. Ex. planos de saúde, bônus, complemento para refeição, premiações, comissões, participação em convênios, seguros e, por fim, o salário. Sim, o salário encontra-se dentro desse pacote.


Para as recompensas intangíveis temos: clima organizacional, localização (trabalhar longe de casa ou em locais de difícil acesso, poderá trazer grandes problemas, como desgaste físico, financeiro e psicológico), perspectiva de crescimento na carreira, infraestrutura, carga horária e turnos.


Poucos pensam nos benefícios intangíveis, ignorando o fato de que eles causam impacto direto nos tangíveis. Uma péssima qualidade de vida resultante de ausência na família, cansaço e mau humor, por exemplo, é extremamente prejudicial à produtividade, causando perdas, por vezes, irrecuperáveis. Basta saber com qual das perdas você está mais preocupado. Isso é uma questão de escolha.


Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

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