Quem sabe faz a hora

Em seu artigo semanal, o Professor Edison Andrades fala das oportunidades que surgem na vida profissional.

Redação
Publicado em 05/07/2010, às 13h48

Ocimar, naquela manhã, acordou indisposto e demasiadamente de mal com a vida. Na noite anterior havia discutido com sua amada e, dessa vez, a coisa foi longe demais. Devido a diversas discordâncias em relação a tantos assuntos, as discussões e agressões verbais tornaram-se triviais. Ocimar era, dentre nós, o melhor funcionário. Alguns de nós, colaboradores mais antigos, havíamos recebido promoção para supervisor. E aguardávamos a grande hora de Ocimar. Sabíamos que seria apenas uma questão de tempo e oportunidade, logo ele iria juntar-se a nós, como parte do corpo de supervisores.


Até então, nenhum de nós entendia com clareza o real motivo pelo qual todos ocupávamos um cargo superior, enquanto Ocimar ainda se encontrava na mesma posição operacional. Mas ele mesmo sabia de suas qualidades e garantia, com a mesma presteza e competência, o desempenho de sua básica tarefa.


Certo dia ouvimos um burburinho em relação a uma nova contratação. Surgiria, enfim, a tão necessária vaga para liderança.


Nos bastidores conseguíamos ler os lábios entre as frestas da persiana que se sobrepunha à vidraça da sala de reuniões. Líamos o nome de Ocimar nos lábios da gerente. De súbito, todos intimamente aplaudiam a meritocracia que se instalara naquele lugar. Além de grande companheiro e tutor de todos que ali trabalhavam, Ocimar tinha mérito para ocupar tal cargo.  


No almoço, o assunto era só esse. Todos torciam por ele. Rosália, nossa gerente, estava ansiosa para que o relógio marcasse 14h30. Esse era o horário de entrada de Ocimar.


Por duas vezes, Rosália perguntou se o Ocimar havia chegado.


Tudo estava preparado para a grande nomeação. Naquele lugar, tudo ocorria com muita rapidez. Se não fosse naquele dia, talvez nunca mais ocorresse.


O relógio agora marca 14h20. Puxa! Bem que hoje ele poderia chegar um “pouquinho” mais cedo!


Nossa gerente segurou sua chefe para que não almoçasse até resolverem a promoção. São 14h28, hoje não poderia haver atraso!


Muito mais do que a imagem de Ocimar, estava em jogo também a de Rosália, que passara a manhã inteira vendendo seu bravo colaborador para a cúpula daquela empresa.


A diretora, chefe de Rosália, dirigiu-se ao toalete. Sempre fazia isso antes de sair para o almoço. Rosália, em pé, ao lado da entrada, aguardava, assim como todos nós, a chegada daquele que, em instantes, brindaria uma nova jornada profissional. Pediu então que ligássemos para Ocimar. Não havia celular naquela época. O telefone residencial apenas chamava.


Como triste final, a diretora foi almoçar e Rosália voltou para sua sala. Todos pareciam estar de luto. E o Ocimar? Apareceu dois dias depois sem a aliança de compromisso. Os dois dias de absenteísmo ocorreram devido a mais uma crise conjugal. Crise suficiente para interromper sua carreira profissional.


Há pouco tempo encontrei o Ocimar em um evento. Ainda no mesmo cargo, mas agora em outra empresa. Parece que a oportunidade, nesse caso, não bateu duas vezes.

E você? Está cuidando bem de suas relações?


Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

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