Apagão do conhecimento

Artigo do professor Edison Andrades.

Redação
Publicado em 22/05/2012, às 11h34

Todas as pesquisas atestam que estamos vivendo um apagão em termos de mão-de-obra qualificada. Mas por que isso ocorre, quando, justamente, batemos recordes no que se refere à quantidade de pessoas ingressando no mundo acadêmico? Aumenta o número de alunos por sala de aula e diminui a qualificação da mão-de-obra? Como entender?

Veja bem: vivemos um momento de inovação tecnológica que, há algumas décadas, seria inimaginável. Tudo é movido por tecnologia. Da mais simples tarefa à mais complexa. A explicação é bastante razoável: com a globalização, passamos a ter acesso ao que há de melhor no mundo, mesmo que tal produto ou equipamento esteja do outro lado do planeta. Dessa forma, as empresas adquirem equipamentos muito mais sofisticados e modernos. É natural que invistam, afinal, a competitividade é mundial, e não regional ou local. O consumidor decide onde quer comprar e que canal lhe é mais conveniente. No entanto, no momento em que uma nova máquina chega a uma determinada oficina, juntamente, chegará a necessidade de admitir alguém capaz de operá-la. Não será fácil achar tal especialista no mercado, afinal, trata-se de um equipamento moderníssimo.

Não sobra opção, para o empresário, senão tentar desenvolver a “prata da casa” (colaboradores já existentes na organização). Por vezes, nem internamente será possível encontrar pessoa com capacidade intelectual para receber uma carga de informações tão grande sobre determinada tecnologia. É que, no Brasil, não se prepara pessoas para transformarem informações em conhecimentos, o sistema educacional se restringe a despejar informações e a cumprir um programa ridículo e antiquado. Vivemos um apagão da educação de qualidade, embora o número de alunos por sala de aula venha aumentando!

Conhecimento só existe dentro da cabeça das pessoas. O que há por fora são apenas informações. Conhecimento é quando processamos uma informação e a transformamos em algo que possa agregar valor. A informação, por si só, não passa de um amontoado de dados que representam apenas meras abordagens teóricas.

Diante desse contexto, ficará difícil encontrarmos pessoas qualificadas para operar novas máquinas. Portanto, nossa carência vai além da falta de mão-de-obra qualificada, sofremos com a falta de capacitação intelectual.

Certa vez, criei um problema para meus alunos e propus que pensassem numa estratégia para resolvê-lo. Depois de algumas horas, percebi que possuíam grande dificuldade de pensar estrategicamente. Fomos “adestrados” para ser tarefeiros. Pergunte a seu filho se alguém explicou a ele o real motivo que o levou a aprender sobre Tabela Periódica e Equação de Segundo Grau. Se a resposta for: “Para que eu possa me desenvolver intelectualmente e assim inovar em tudo que fizer”, ajoelhe-se e agradeça a Deus por seu filho não pertencer ao time que compõe o Apagão do Conhecimento.

Prof. Edison Andrades é sócio da Reciclare Consultoria & Treinamento. Site: www.reciclareconsultoria.com.br 

E-mail: edison@reciclareconsultoria.com.br

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