Qual é o seu legado?

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 24/01/2014, às 10h32

Geralmente, vejo as pessoas pronunciando a seguinte frase: “Meu filho terá o que eu não tive!”. Confesso não concordar com tal expressão, pois essa frase é típica de pessoas que valorizam como primordial os bens materiais e isso pode ser muito perigoso.

Obviamente, todos nós gostamos das coisas boas deste mundo, afinal, elas existem para nos servir, trazer conforto, comodidade e até segurança, mas onde está o perigo então? No exagero! Infelizmente, durante minha carreira como executivo de RH, presenciei inúmeros jovens que perdiam o emprego devido à falta de referência, principalmente familiar, jovens estes que se encontravam em dois possíveis mundos:

No primeiro, estão aqueles que, desde crianças, tiveram tudo que desejaram. Fruto de pais que, ao tentarem levar a felicidade ao seu “pupilo”, transformaram-no em “alienígena profissional”, ou seja, garotos e garotas que agem, no ambiente de trabalho, como se estivessem a passeio. São jovens que foram empregados através de indicação (“amigo do papai”) e estão ali apenas para passar o tempo, não levando a sério a tarefa atribuída a eles. Sua mesada supera o salário que recebem e sabem que, para quaisquer tipos de problema, terão o apoio dos pais, exatamente como ocorria na escola. São filhos de pais despreparados, que deixam como legado um monte de conceitos vazios, estimulando seus filhos a serem irresponsáveis na vida profissional.

O segundo mundo é habitado por aqueles que nunca possuíram nada, devido a dificuldades financeiras. Para estes, o problema está também na falta de referência, pois sempre presenciaram a instabilidade profissional na carreira de seus pais. Sua mãe trabalhou a vida inteira sem registro e seu pai raramente permanecia mais de um ano no mesmo emprego. Assim, este jovem dificilmente terá apoio moral seguro na área profissional, pois, como no caso anterior, esse tipo de jovem também não recebe um legado e, provavelmente, repetirá o percurso dos pais.

Parece não sobrar ninguém, ok? Engano, pois existe a classe dos que aprendem com os erros alheios. Estou me referindo a pessoas que buscam oportunidades e que se espelham naqueles que venceram, gente que, embora não tenha contado com grandes referências positivas em seu círculo familiar, entende que, para vencer profissionalmente, deverá fazer um esforço a mais. São pessoas que reconhecem que, na conquista, encontra-se a recompensa, mas, para isso, é preciso lutar e fazer “mais com menos”.

Saiba, caro leitor, que estes são os meus preferidos, geralmente são os melhores filhos, pois entendem a falta de sabedoria de seus pais como fruto de uma carência no legado deixado por seus avós. Também costumam ser os melhores alunos, porque querem crescer e encontram, muitas vezes, no professor, sua referência profissional. São os melhores cônjuges, pois valorizam cada etapa de suas vidas e da vida de seus companheiros e, consequentemente, deixarão os melhores legados, pois são pessoas que possuem uma história de vida a ser tomada como exemplo pelos que virão.

Que eu esteja falando de você!

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. Facebook.com/professor.edison.andrades

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