Gota d'água

Artigo do professor Edison Andrades

Edison Andrades
Publicado em 04/12/2015, às 10h50

As coisas boas e ruins da vida não ocorrem de forma instantânea, vão se formando. Percebo carreiras dentro das organizações que simplesmente se diluem, ainda que parecessem extremamente sólidas. Isso acontece porque muitos profissionais vão construindo suas derrotas com pequenas atitudes e pronunciamentos. A imagem que as pessoas possuem a nosso respeito está ligada aos detalhes de nossas atitudes.

No início de uma oportunidade, quando a pessoa ingressa numa determinada organização, é o melhor colaborador de todos os tempos. Pontual, responsável com suas obrigações, oferece ajuda e até avança o horário de seu expediente, caso seja necessário. Vive um primeiro amor por tudo que faz! O fato é que o tempo vai passando e aquele que seria o melhor colaborador passa a entrar na área mediana de seu profissionalismo. “Arrasta o chinelo” para tudo e alguns passam a reclamar de tudo. Aquilo que era, há poucos meses, seu sonho, torna-se um pesadelo. Como se não bastasse, o sujeito passa a ser também um pesadelo para a empresa. Esses casos vemos corriqueiramente ao nosso redor. Mas por quê?

O ser humano, naturalmente, cansa da rotina, e isso vale para tudo. Alguns param de estudar, de ir à academia e até casamentos caem nessa arapuca. Obviamente, não seria diferente no campo profissional. Isso vale também para os empreendedores. Pessoas que, quando estão sonhando com o negócio próprio, parecem criança, mas, ao realizarem seu projeto, por vezes, deixam-no às traças.

Grandes organizações, com o intuito de combater a mesmice, já andam se preocupando com a inovação. E inovação, em seu conceito, é qualquer ideia, produto ou serviço percebidos como novos, ou seja, a percepção do novo torna-se preponderante sobre o aspecto do inédito. Uma inovação não precisa, necessariamente, ser uma coisa jamais vista.

Quando executa algo que faz dele um ser realizado, o ser humano cria o que chamo de ressignificação, seu resultado é o nascimento de uma nova motivação intrínseca (interna). Os empregadores precisam pensar um pouco mais sobre isso, mas, por outro lado, deve haver a contribuição dos colaboradores para que as ações implantadas pelas empresas nesse sentido gerem frutos.

Certa vez, presenciei, numa organização, uma área cumprindo a ginástica laboral implantada pela empresa num setor administrativo. Um dos participantes realizava movimentos rítmicos e articulados com a mão esquerda, sob o comando do Personal Trainer que visitava aquele setor, mas, com a mão direita, adiantava um relatório, digitando no teclado de seu Personal Computer. Cuidado! A vida rebate nossas atitudes!

Nas empresas, existem processos e pessoas. Pessoas executam processos porque são estes que disciplinam e organizam as atividades das pessoas. O fato é que os processos, em sua maioria, tornam qualquer atividade uma rotina, e não poderia ser diferente, já que são processos. O fato é que essa rotina contribui muito para a desmotivação das pessoas. Felizmente, nós (empregados e empregadores) podemos sim tornar o ambiente de trabalho mais inusitado e menos rotineiro com simples atitudes. Você já experimentou escolher um dia do mês e incluir em seu orçamento a despesa de um bombom para cada colega de seu departamento? E se esse doce for acompanhado por uma mensagem de paz e alegria num pequeno bilhete? Você acabaria acrescentando, ao dia de muita gente, um sabor diferente. Já pensou se sua atitude fosse copiada? Quanta gente beneficiada!

Muitos estão a uma gota d’água de jogar a toalha e perder grandes e vindouras oportunidades existentes em suas ocupações, simplesmente pela somatória de atitudes negativas. Por outro lado, há uma gama de pessoas para as quais também falta uma gotinha de água, mas para tornar seu dia inesquecível e feliz.

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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