O preço do sucesso

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 11/12/2015, às 10h27

A palavra sucesso possui várias conotações. Por muitos, é usada quando um sujeito se apossa de bens patrimoniais e tangíveis, ou seja, representa ter dinheiro. Para outros, o sucesso é o bem-estar, resultado de convívio familiar, saúde perfeita, amigos etc. O fato é que, em última instância, o sucesso resume-se a ser feliz. As pessoas buscam ser felizes “de ponta a ponta” em suas vidas.

Quando crianças, queremos os melhores brinquedos, desejamos nunca receber qualquer tipo de punição, independentemente das atitudes tomadas, e ainda queremos que nosso alimento preferido esteja sempre à disposição, mesmo que isso custe umas belas calorias. Já na adolescência, felicidade passa a ser sinônimo de liberdade. “Não nos deixam ser livres!” – reclamamos. A idade adulta chega, mas não a percebemos, pois ainda não completamos, ao nosso ver, o ciclo e realizações da adolescência. Não deu tempo!  De forma instantânea, outras atribuições são despejadas sobre nossas cabeças e a tolerância em relação a nossos erros é cada vez menor. Deixamos de ser prole e nos tornamos progenitores, passamos de aprendizes a mestres e de dependentes a titulares. Nessa etapa da vida, entra, de forma abrupta, a tal “responsabilidade”. Parece que tudo agora possui um peso maior.

A idade adulta pode ser nossa única chance de sermos felizes, pois, afinal, na etapa anterior éramos inexperientes demais e na próxima...bem, “sei lá se chegarei lá”. Preciso, na idade adulta, ganhar dinheiro, casar-me, consolidar-me no mercado de trabalho e ser “bem-sucedido”. Em relação ao mundo profissional, alguns julgam que a única forma de se chegar lá é se tornando um empreendedor. Outros almejam grandes e bons cargos nas empresas de terceiros. Outros ainda vão se conformando com o que, em suas concepções, o destino lhes reservou, e vão ficando por ali mesmo.

Permanecer em uma mesma posição hierárquica por grandes períodos, ou tornar essa posição vitalícia não é crime! Mas será, se isso lhe causar infelicidade. O que tenho observado, nestes últimos tempos, é uma pressão muito grande quanto ao sair da “Zona de Conforto”. Mas se está confortável, por que sair?! Obviamente, esta é apenas uma expressão criada com o intuito de incentivar as pessoas a não se acomodarem ou estagnarem em suas competências e ocupações.

As empresas vinham num movimento incessante de desenvolvimento de pessoas, mas recentemente veio a descoberta: era preciso recuar uma etapa desse processo, ou seja, a palavra do momento passou a ser “capacitação”. Na corrida competitiva, as corporações perceberam que as pessoas podem ser o diferencial na disputa pelo mesmo cliente. A capacitação técnica e comportamental eleva qualquer corporação ao topo do sucesso, mas isto tem um preço. Um preço que nem sempre profissionais que se alojaram na “zona da acomodação” estão dispostos a pagar.

Na busca pela tão aspirada felicidade, o sucesso é subproduto, e virá como consequência de sacrifício. Diante de tal constatação, a grande questão, para empresas e colaboradores é a mesma: quer pagar esse preço?

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

Comentários

Mais Lidas