EAD atrai pessoas com mais de 60 anos

Muitas pessoas com idade acima de 60 anos buscam no EAD uma maneira de atualizar-se, inserir-se no mercado de trabalho ou simplesmente ampliar suas relações sociais

Douglas Terenciano
Publicado em 13/11/2018, às 15h05

Quem pensa que os cursos de Ensino a Distância (EAD) têm facilitado a vida apenas de profissionais com pouco tempo disponível ou que buscam otimizar os estudos com praticidade, é bom rever esse conceito. É crescente o número de pessoas com idade acima de 60 anos que procuram nesta modalidade uma maneira de atualizar-se, inserir-se no mercado de trabalho ou simplesmente ampliar suas relações sociais.

Vantagens do EAD para idosos

Em um curso presencial, a necessidade de que todos os alunos estejam no mesmo ritmo de aprendizado pode ser uma barreira, especialmente para aqueles que já passaram dos 60 anos. “Isso gera dificuldades, pois, com frequência, está afastada dos estudos há algum tempo e não possui as mesmas referências das novas gerações. A educação a distância, portanto, se torna extremamente vantajosa, pois permite que os idosos avancem de acordo com seu próprio ritmo de estudos”, explica, o reitor do Centro Universitário Internacional – Uninter, Benhur Gaio.

Outra vantagem é a possibilidade de conciliar o curso com outras atividades, como trabalho e obrigações junto à família, que nessa fase costumam ser maiores do que no princípio da vida adulta. “Também não há a necessidade de ir diariamente até a instituição de ensino, o que economiza tempo e favorece idosos que possuem dificuldades de deslocamento”, completa Gaio.

Em estudo publicado em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que até 2050, mais de 20% da população mundial será composta por pessoas com 60 anos ou mais. Este número, que corresponde a 2 bilhões de idosos, terá reflexo em diversas áreas. “Essa fatia da população será, então, convocada ao mercado de trabalho, pois os jovens não serão suficientes para suprir a demanda. Para isso, precisará de mais qualificação”, estima Benhur.

Vale destacar que mesmo com conhecimentos básicos de informática, o idoso consegue absorver bem o conteúdo de um curso EAD. “O ambiente virtual não exige grandes habilidades com o computador. O básico é suficiente para navegar pelas aulas e tirar dúvidas”, esclarece o reitor da Uninter. Muitas universidade, inclusive, contam com polos de apoio presencial, nos quais podem solicitar auxílio para manusear as ferramentas virtuais.

EAD nas relações sociais

Além da qualificação profissional, aqueles que buscam ampliar suas relações sociais encontram nos cursos de EAD uma boa alternativa, já que mesmo de forma virtual, os alunos interagem e trocam experiências. “Os estudantes podem participar de grupos de estudos com tutores locais, bem como de outras atividades, como palestras, workshops, cine-debates, entre outros. Dessa forma, há também uma interação pessoal e maior integração dos idosos com pessoas de sua comunidade local”, afirma Gaio.

Por fim, abordamos um tema cada vez mais frequente nas universidades, o famoso conflito de gerações. Não devemos generalizar, já que este embate pode ocorrer independentemente da idade ao aluno, mas algumas pessoas têm dificuldade de lidar com diferentes faixas etárias em uma sala de aula. Benhur acredita que os cursos de Ensino a Distância podem ajudar neste caso. “O percurso do EAD é mais individualizado, permitindo que os estudantes avancem de acordo com seu próprio ritmo e os relacionamentos ocorrerão com colegas que poderão ser escolhidos por eles”, conclui.

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