Pesquisa revela que 73% sofrem de estresse

Outros 75% dos trabalhadores têm problemas de saúde decorrentes do estresse

Redação
Publicado em 05/12/2008, às 13h45

Leandro pula da cama às seis horas. Uma pilha de livros da pós-graduação já o aguarda ao lado do café habitual as suas manhãs. Estuda, estuda, estuda. Já é hora de ir trabalhar. É o ofício como jornalista que o ocupa das 14h às 20h.

Começo da noite. Hora de descansar, finalmente? Não, são os livros que o esperam, mais uma vez, junto com a avalanche de trabalho que ainda falta para finalizar. Deita na cama, enfim, mas a rotina exaustiva mostra a que veio. “Tenho insônia, fico muito estressado com o trabalho e perco o sono no meio da noite”, afirma o jornalista, Leandro Vale, que também adquiriu gastrite por conta da vida atribulada e do excesso de café.

Leandro não está sozinho nesta realidade. De acordo com pesquisa realizada pela UGT (União Geral dos Trabalhadores), 73% dos trabalhadores estão estressados devido às condições de emprego, enquanto 75% deles têm problemas de saúde decorrentes do estresse. A pesquisa analisou quatro mil postos de trabalho, de distintas áreas, em todo o país.

Estresse

O trabalho ocupa espaço importante na vida das pessoas, mas influenciaria de forma positiva se não se configurasse da forma como se dá atualmente, de acordo com a doutora em psicologia social pela USP e psicóloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Campinas, Márcia Hespanhol Bernardo.

“Como o desemprego é estrutural, as relações de trabalho ficam muito desiguais, empregados têm de se submeter continuamente e isso provoca sofrimentos, doenças, medos, problemas psíquicos”, avalia Márcia.

As pessoas, segundo a psicóloga, são obrigadas a trabalhar em ritmo exaustivo, perdendo, assim, oportunidades de trabalhar sua inteligência e criatividade. Essa situação acaba por minar possibilidades de que elas sejam elas mesmas. “Se sentem como robozinhos”, resume.

Além da rotina intensa de trabalho, a psicóloga aponta que fora do período de trabalho, muitos não conseguem se desligar por completo. “Quando chega em casa  ou quando está de férias, pessoa ainda continua atendendo ligações do trabalho ou se conectando à Internet para trabalhar. Outras fazem especialização, sempre pensando em estar empregável e atender às necessidades do mercado. Isso não interessa ao trabalhador, mas ao empregador. E essa realidade ficou naturalizada como se fosse a única possível”, alerta Márcia.

O consultor em comportamento e desenvolvimento organizacional, Paulo Lot Jr., concorda com as idéias da psicóloga dando uma pitada do que é a tônica do trabalho em um mundo globalizado e competitivo. “Vivemos a era dos super-heróis, precisamos saber tudo, somos obrigados a agir mais rápido, não podemos perder qualquer oportunidade, temos que ter soluções rápidas, rápido, rápido, rápido”, exclama.

Diante dessa realidade, o consultor pondera que o ser humano acaba deixando de lado valores humanos essenciais para a vida, como a convivência com os amigos, o tempo com a família, a espiritualidade, a leitura prazerosa de um bom livro ou o caminhar na praça.

O trabalho seria edificante na vida de uma pessoa, segundo Márcia Bernardo, se o empregado fosse autônomo para tomar decisões. “Claro que há regras a seguir, mas poder propor sugestões, desenvolver sua criatividade, ser sujeito, de fato, de suas ações, já seria um ótimo passo”, explica.

Como perceber o estresse na rotina de trabalho

• Refletir se se sente feliz com a função que desempenha

•Verificar se seus problemas físicos e/ou mentais têm relação com as condições em que trabalha

•Identificar contrastes entre o que empresa promete aos funcionários e o que ela põe em prática, na verdade

•Diferenciar se está realizado com o trabalho que faz ou se está apenas satisfeito com o salário que ganha

•Avaliar se o envolvimento com o trabalho continua mesmo após seu término ou no período de férias.

Luana Almeida

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