É hora da Virada

* por Rogério Amato

Redação
Publicado em 18/10/2007, às 11h52

* por Rogério Amato


Em 27 de outubro começa a Virada Universitária, movimento permanente de inclusão social

O Brasil, a despeito da vitória contra a inflação e dos avanços que tal conquista propiciou desde o advento do Plano Real, ainda precisa incluir expressiva parcela demográfica nos benefícios da economia. Nesse processo, o papel do Estado é indelegável, mas é de grande importância a intervenção da sociedade para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira, principalmente a mais vulnerável socialmente.

De fato, o Terceiro Setor tem-se destacado no País, contribuindo e trabalhando de modo sinérgico com organismos estatais dedicados ao resgate da dívida social. A mobilização da sociedade é decisiva para a virada nesse jogo que não podemos perder para a História. Assim, é interessante observar dados como os contidos em estudo da Johns Hopkins University, revelando que 25% da população brasileira já são alcançados pela ação publica de organizações de natureza privada, como empresas, fundações, institutos, instituições beneficentes e ong´s em geral.

Nesse universo de solidariedade e voluntariado, há um importante segmento, com potencial imenso para ampliar a sua mobilização em prol de um Brasil mais desenvolvido. Refiro-me às instituições de ensino superior, produtoras da matéria-prima essencial da prosperidade socioeconômica, que é o conhecimento. Ao formar cidadãos e profissionais qualificados, elas cumprem papel relevante para o progresso nacional e a inserção soberana do País no mundo globalizado. Contudo, vão muito além, realizando numerosas ações voltadas à população de baixa renda ou abaixo da linha da miséria, em distintas áreas, como saúde, educação, esportes, cultura, lazer, iniciação profissional e alimentação.

É fundamental que todo esse trabalho, que agrega o paradigma de excelência de instituições produtoras de ciência, P&D, tenha maior visibilidade, servindo de parâmetro à multiplicação de ações bem-sucedidas, intra e extra campi das universidades de todo o País. Contribuir para essa visibilidade e desencadear um fluxo ininterrupto de mobilização social do universo acadêmico, influenciando positivamente toda a sociedade, é o objetivo da Virada Universitária, cuja data referencial, já oficializada no calendário paulista, é o último sábado de outubro (em 2007, dia 27 desse mês). Uma das principais ações será inventariar todo o acervo da responsabilidade social no mundo universitário da cidade de São Paulo e, a partir de 2008, de todo o Estado. Pretende-se, ainda, despertar o jovem universitário para seu fundamental papel na sociedade, graças ao privilégio de receber ensino superior, estimulando nele o dever de atuar em sua vida acadêmica e profissional a favor do social, com ações que visem à melhoria da qualidade de vida.

A Virada Universitária é um movimento apartidário, coordenado pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads). Seu gerenciamento está a cargo de um conjunto de parceiros da área universitária e Terceiro Setor, com larga experiência nas ações de responsabilidade social: Associação Brasileira das Entidades do Ensino Superior (Abmes); Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp); Universia Brasil, Instituto Faça Parte e Centro de Voluntariado de São Paulo; SP-Turis; Faculdades Integradas Rio Branco; Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC); e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio de seu Comitê de Jovens Empreendedores (CJE ).

É importante entender que não se trata de um evento anual, mas sim de um movimento permanente, visando a agregar cada vez mais instituições de ensino superior, ong’s, entidades de classe, empresas e a comunidade num amplo trabalho voltado à inclusão e melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas. Nesse sentido, é decisivo o engajamento da comunidade acadêmica, incluindo os estudantes, considerando sua capacidade de intervenção na sociedade. Ao ser lançada, em 27 de outubro de 2007, a Virada Universitária inicia um movimento que seus idealizadores e executores querem tornar perene.


* Rogério Amato é administrador de empresas pela Fundação Getúlio Vargas/SP, vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e secretário estadual de Assistência e Desenvolvimento Social.

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