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Vereador sai em defesa das vinícolas acusadas de trabalho escravo: "contratem argentinos"

Vereador Sando Fantinel (Patriota), de Caxias do Sul, usou a tribuna nesta terça-feira (28) para defender as vinícolas acusadas de trabalho escravo

Vereador Sando Fantinel (Patriota), de Caxias do Sul
Vereador Sando Fantinel (Patriota), de Caxias do Sul - Reprodução redes sociais - Vereador defende vinículas acusadas de trabalho escravo
Jean Albuquerque

Jean Albuquerque

redacao@jcconcursos.com.br

Publicado em 01/03/2023, às 09h40

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O vereador Sando Fantinel (Patriota), de Caxias do Sul, saiu em defensa das vinícolas acusadas de trabalho escravo. Ele usou a tribuna nesta terça-feira (28) para fazer um comentário xenofóbico e questionar a repercussão do caso envolvendo mais de 200 trabalhadores em situação análoga a escravidão em vinícolas de Bento Gonçalves

Além disso, ele se referiu ao povo baiano como "gente suja" que querem passar o dia na praia tocando tambor. “Desde quando o patrão paga para os bonitos limparem a casa? A gente deveria contratar os argentinos ao invés daquela gente suja lá de cima”, disse Fantinel. Veja vídeo abaixo:

O comentário causou revolta nas redes sociais e indignação do deputado estadual Leonel Radde (PT), que registrou um Boletim de Ocorrência contra o vereador. "Acabamos de registrar um novo Boletim de Ocorrência contra a fala racista do vereador de Caxias do Sul/RS, Sandro Fantinel, que declarou que 'baianos são sujos e sabem apenas tocar tambor e dançar'", disse ao G1. 

O vereador afirmou também ao G1, que só mencionou a Bahia porque o Estado tem envolvimento no processo de Bento Gonçalves, "se fosse Santa Catarina, eu teria falado Santa Catarina". Ele disse que se arrepende de dizer que a única cultura que os baianos têm é a de viver na praia tocando tambor. 

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Entenda o caso 

Mais de 200 trabalhadores em situação análoga à escravidão foram resgatados no último dia 22 de fevereiro, no município de Bento Gonçalves, localizado no Estado do Rio Grande do Sul, em operação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

As vinícolas Aurora, Cooperativa Garibaldi e Salton usavam mão de obra oriunda de trabalho escravo na região. O responsável pela empresa, que mantinha os trabalhadores nessas condições, foi preso e encaminhado para uma delegacia da Polícia Federal (PF) em Caixas do Sul, mas foi solto após pagar fiança de R$ 40 mil. 

Governadores do RS e BA se pronunciaram 

O governador Eduardo Leite, do Estado do Rio Grande do Sul, usou o twitter ontem (28) para repudiar o discurso xenofóbico. "O discurso xenófobo e nojento de vereador de Caxias contra o nordeste não representa o povo do Rio Grande do Sul. Não admitiremos esse ódio, intolerância e desrespeito na política e na sociedade. Os gaúchos estão de braços abertos para todos, sempre", escreveu. 

Leite também disse que irá buscar autoridades da Bahia para banir o preconceito. "Vamos buscar autoridades do querido estado da Bahia para que nos visitem e acompanhem as atitudes que já estamos empreendendo e para nos aliarmos em outras ações conjuntas de nossos estados para banir o preconceito".

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, também usou a rede social nesta terça-feira (28) para falar sobre o assunto: "Eu repudio veementemente a apologia à escravidão e não permitirei que tratem nenhum nordestino ou baiano com preconceito ou rancor", escreveu. 

Ele também afirmou que "é desumano, vergonhoso e inadmissível ver que há brasileiros capazes de defender a crueldade humana. Determinei, portanto, a adoção de medidas cabíveis para que o vereador seja responsabilizado pela sua fala". 

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