Não é o que parece

Sabe o ditado popular que diz que "nem tudo que se vê é o que parece". Vivemos muitas situações em nossa que avaliamos de modo errado o que ela é

Redação
Publicado em 08/04/2021, às 11h27

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“Nem tudo que se vê é o que parece, nem tudo que parece é o que realmente é.” – Ditado popular

Você já conversou com alguém, um amigo, colega ou parente, e ouviu dele exatamente o contrário do que esperava? Seu interlocutor não só estava equivocado, como entendeu tudo de cabeça pra baixo? Isso não é nada incomum.

A correta interpretação de tudo que acontece é determinante para a saúde física, mental e espiritual, particularmente quando os tempos são difíceis, mas, às vezes, o outro está cego ou tem as lentes dos óculos sujas, a visão embotada de dor, ódio, ciúme, inveja ou o que quer que sirva para turvar a realidade, afastando-a do que é verdadeiro, do que é certo.

A visão desfocada pode resultar de uma escolha, feita conscientemente ou não. Muitas pessoas só enxergam as coisas como lhes convêm. São convincentes, munem-se de todos os argumentos imagináveis e inimagináveis para defender o indefensável, e falta-lhes habilidade, experiência, maturidade ou, simplesmente, capacidade de encarar os fatos como eles são.

Deixam a mente ser contaminada pelo que carregam no coração e na alma. Gente assim é predisposta a não olhar ao redor com objetividade. Os borrões nas lentes que usam nem o mais potente produto de limpeza é capaz de remover. Em casos como esses, só a busca por fé, propósito e solidez de princípios funciona.

A depender de quem me lê, o mundo pode parecer escuro o tempo todo, mas isso se deve, quem sabe, aos óculos de sol? Para outros, a realidade pode parecer mais colorida, por causa das lentes cor-de-rosa, azul, verde...

Ora, se estamos falando desse tipo de filtro do mundo real, bastar tirar os óculos. Será que você consegue? É corajoso e ousado a esse ponto?

Se sim, pode ter certeza de que tudo deixará de se mostrar tão sombrio ou, no outro extremo, artificialmente multicolorido. É possível que a realidade o ofusque por alguns instantes, fazendo doer, de verdade, os olhos, mas será passageiro. Haverá quem ceda ao impulso de recolocar as lentes, e haverá quem se adapte às cores verdadeiras da natureza, do céu, das cidades, ganhando em percepção e lucidez.

Eu sei que você consegue. Todas as pessoas, sem exceção, absolutamente nenhuma exceção, conseguem. Cada um de nós é capaz de encontrar a verdade, e agora mesmo!

Tudo que a vida exigirá é mais habilidade para interpretar o mundo. Aceite essa evolução, com a qual você só tem a ganhar. É ela que fará você entender que muito mais importante que o que acontece é a leitura que você faz dos fatos. Entra em cena o poder da interpretação. Tudo é mais do que sugere ser quando analisado apenas na superfície. Então, muita calma, pois nem tudo é o que parece.

Pensemos numa situação ilustrativa. Digamos que você resolveu se separar de seu(sua) parceiro(a). O carinho e a atração acabaram, sendo substituídos por indiferença e, em casos extremos, desprezo. A tendência é enxergar no outro apenas defeitos que confirmem a repulsa que você sente.

O simples jeito de mastigar do seu antigo amor incomoda, e o que até outro dia passava despercebido, como o modo de se vestir ou os roncos noturnos, hoje tira você do sério.

É assim porque sua visão está contaminada pelo desamor. Tudo o que a pessoa disser ou fizer parecerá inadequado aos seus olhos, mesmo que ela tenha a melhor intenção do mundo.

Há outro exemplo, bem concreto, que todos estamos vivenciando. Já faz um ano que uma pandemia gravíssima nos aflige. Por causa dela, ouvimos diariamente notícias assustadoras. É natural que as pessoas, num contexto como esse, não enxerguem nada para além de um metro de distância. Também se espera que seja mais difícil seguirem à risca qualquer tipo de planejamento.

No campo dos concursos, a crise sanitária resultou em inúmeros editais represados, o que reforça, nos candidatos, o desalento, a vontade de desistir dos estudos, ou, ao menos, adiá-los. Poucos conseguem perceber que este é, na verdade, o melhor momento para se dedicar à preparação. Por quê? Porque, além de muitos concorrentes estarem desanimados, a ponto de realmente terem deixado de estudar adequadamente, não há a pressão dos prazos apertados para vencer os conteúdos programáticos extensos que tradicionalmente integram os editais.       

Como você vê, concurseiro, nem tudo é o que parece. Nossos comportamentos e escolhas são muito influenciados por nossa forma de ver o mundo e interpretar as situações. Quando agimos sem pensar, tendemos a assumir comportamentos automatizados, em geral de defesa, medo e retração. Nosso cérebro dispara reações que não refletem, necessariamente, a verdade.

O quadro que imaginamos pode ser exatamente o oposto do real, e, ainda assim, somos compelidos a agir equivocadamente. Afinal, nos dizeres do filósofo Sêneca, “é preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la”.

Sabendo disso, sigamos adiante, procurando interpretar com sabedoria o que acontece a nossa volta, sendo o mais objetivos possível ao analisarmos tudo e todos. Como Jean Paul Sartre ensinou, “não importa o que a vida fez de você, mas o que você faz com o que a vida fez de você”.

*texto de Gabriel Granjeiro, Diretor-Presidente do Gran Cursos

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