O valor do conhecimento

Promotor de justiça desde 1996, Alexandre é um desses casos que muita gente ouve falar e custa acreditar quando conhece.

Redação
Publicado em 12/03/2010, às 15h12

“A inteligência é uma construção do sujeito que enriquece os objetos externos”. A frase, tão enigmática quanto esclarecedora, é fruto de uma reflexão do pensador suíço Jean Piaget. Ela serve como ponto de partida para uma melhor compreensão da trajetória de vida de Alexandre Demetrius Pereira, paulistano, de 36 anos de idade e muitas conquistas que validam essa associação.

Promotor de justiça desde 1996, Alexandre é um desses casos que muita gente ouve falar e custa acreditar quando conhece. Inteligente, simpático, dedicado e sedento por conhecimento. Aprovado para ingresso no Ministério Público em seu primeiro concurso, o promotor não se acomodou com o generoso salário. Fez outra faculdade. “Quando você pega um caso de falência, por exemplo, sua formação jurídica não provê todo o conhecimento necessário para o entendimento dos termos e das circunstâncias”, justifica sua opção pela faculdade de contabilidade que prestou quase que por esporte junto com a namorada juíza. Além da segunda faculdade, Alexandre fez um mestrado em direito. Combinar as três atividades (o trabalho na promotoria, um curso universitário e um mestrado) não foram desafios que esmorecessem o promotor. “A constante busca pelo conhecimento é algo que oferece a possibilidade de lidar melhor com a realidade”, observa Alexandre em um momento que lembra o pensador lá do início. 

Essa “aficção por produtividade”, nas próprias palavras de Alexandre, é um traço de sua personalidade. Característica vital para que seja tão prolífero. Com a finalidade de agilizar seu expediente no gabinete, e também tornar mais dinâmico o trabalho de seus estagiários, desenvolveu, ele mesmo, um programa de computador que facilita na hora de se calcular uma sentença. “Tem um ‘bugzinho’ (termo usado para apontar falhas de softwares), que eu não vou contar qual é”, desconversa em tom de brincadeira.

O conhecimento de computação e programação, no entanto, não se comparam ao prazer de escrever. São nove livros publicados. Obras referenciais dentro do universo do direito, nas quais também pôde por em prática seu olhar de contador.

Aventa-se a inevitável pergunta: Alexandre não se cansa? No que o próprio responde: “Motivação é estritamente pessoal. Gosto dessa sensação de utilidade, de contribuição”.

Às 18h de uma terça-feira, em pleno plantão, Alexandre se entusiasma ao falar dos projetos futuros. “Já tenho um décimo livro para ser publicado. É mais voltado para o mercado de concursos”. Finalizando sua tese de doutorado, o promotor pensa além. “Já estou pensando no próximo livro, que desenvolverei em parceria com meus estagiários”.

Conversar com Alexandre é um convite para o deslumbramento, tamanha a euforia e comprometimento que ele transmite. Indagado se há algo que o desmotive na rotina diária de um promotor, aquela em que se vê na incumbência de fazer concessões e encarar limitações legislacionais, lembra que o tempo é senhor de todas as provações. “A prática leva à banalização”, filosofa. O promotor admite, ainda, que sua visão de mundo, assim como pressupõe que ocorra com grande parte dos formandos em direito, é grandemente influenciada por sua formação jurídica. Ele ressalta que se obriga a buscar o outro olhar. Entende que esse exercício lhe acresce tanto pessoalmente, quanto profissionalmente.

Com tantas realizações e projetos para serem exibidos antes mesmo de ter cruzado a fronteira dos 40 anos, Alexandre, embora admita não ter grandes pendências no campo das realizações pessoais e profissionais, pondera: “Às vezes fico pensando que poderia ter aprendido mais”. Sua ponderação nos leva a outra afirmação de um grande pensador. Benjamin Franklin - cientista, inventor, jornalista, entre outras tantas coisas - disse certa vez que investir em conhecimento rende sempre melhores juros.    

Reinaldo Matheus Glioche

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