Essa ansiedade que não passa

Nos últimos dias, conversando com meus alunos que estão se preparando para o concurso do INSS, percebi um comportamento repetido pela maior parte deles: ansiedade pelo dia da prova

Daniel Sena
Publicado em 16/03/2016, às 16h12

Nos últimos dias, conversando com meus alunos que estão se preparando para o concurso do INSS, percebi um comportamento repetido pela maior parte deles: ansiedade pelo dia da prova.
O edital do INSS foi bem diferente do que estamos acostumados a ver. Foi publicado em dezembro último com a prova marcada para maio deste ano, ou seja, aproximadamente cinco meses entre o edital e a prova. Como se não bastasse todo esse tempo até o exame, os candidatos já haviam amargado uma espera de quase seis meses entre a autorização e a publicação do edital.
Toda essa demora tem seu lado bom e lado ruim. O lado bom é o maior tempo de estudo até o dia da prova. O lado ruim que, a meu ver, tem pesado mais, está na ansiedade que essa demora tem causado nos corações. 
Ouvi uma aluna dizer, essa semana: não vejo a hora de acabar com isso e eu voltar à minha vida normal!
A demora tem minado o equilíbrio emocional dos candidatos a medida em que estudam, estudam e o dia da prova não chega. Temos alunos que não aguentam mais estudar. Apesar de não estarem prontos ainda, a sensação de esgotamento já começa a tomar conta.
Costumo dizer que a caminhada do concurseiro está assentada sob dois pilares: motivação e estudo. Sem um, o outro não funciona. São requisitos indissociáveis. Um indispensável à existência do outro. 
Se o camarada só se preocupa com a motivação e não estuda, ele poderá ser tudo, menos aprovado. Da mesma forma, se o indivíduo só estuda e deixa a motivação se esvair, fatalmente não aguentará todo o tempo de estudo até a aprovação chegar. Desta forma, não consigo pensar em um projeto de concurso sem o fortalecimento do estudo e da motivação ao mesmo tempo. 
Os mais focados, estão com os estudos em dia, já cobriram toda o conteúdo programático do edital, estão fazendo os exercícios todos os dias, mantêm a disciplina das aulas e a leitura de bons materiais. Os que não estão tão determinados neste projeto, seja por motivos pessoais, seja pela falta da disciplina, vão estudando do jeito que dá: vão às aulas, de vez em quando fazem exercícios e aguardam o dia da prova chegar para fazerem o melhor que puderem. E tem a maioria, que só se importará com tudo isso no dia da prova. 
Pois bem, a quem a ansiedade mais castiga nesses dias? Aos mais focados. Aos mais determinados. Aos que possuem uma responsabilidade muito grande com essa conquista. Ela mina a confiança daquele que realmente está lutando por esse objetivo. Ela atrapalha quem está preparado e tem chances reais de ser aprovado. O cara que não está estudando, não está nem aí para essa prova. Ele se sente tranquilo, pois não tem responsabilidade consigo mesmo.  
Mas o que causa a ansiedade? Duas razões principais: medo da derrota e medo do julgamento social. O medo da derrota está diretamente relacionado ao efeito que perder tem para nós. O erro é sempre visto de forma negativa, por isso, lutamos o tempo todo para acertar. Quando nos cobramos demais, essa responsabilidade com a aprovação acaba gerando o medo de não sermos aprovados e fazendo com que surja o sentimento de ansiedade. 
O medo de julgamento está relacionado com o que as outras pessoas pensarão de nós. Em uma sociedade em que a aparência importa muito, o que as pessoas pensam sobre nós acaba afetando nosso comportamento e, como consequência, nos deixando ansiosos por agradar a todos.
Nos dois casos, a ansiedade acaba ocupando a nossa mente e impedindo ela de funcionar na sua máxima capacidade. Quem fica ansioso se ocupa previamente com o medo de não dar certo. Essa ocupação prévia com o medo rouba de quem estuda o espaço para o que realmente importa. 
Dificilmente uma pessoa ansiosa consegue permanecer focada no seu trabalho principal, pois todo o seu corpo, mente e neurologia estão voltados ao conflito emocional causado pela aquela sensação de medo. É facilmente perceptível isso quando você tenta se concentrar na questão e não entende nada que está escrito nela. Por mais que você conheça o assunto, por mais que você tenha estudado, se estiver ansioso, esse sentimento bloqueará sua capacidade de resolver e de se desenvolver na prova.
Então, uma conclusão me parece inevitável: ficar ansioso agora é o seu maior inimigo nessa reta final. Deixar a ansiedade controlar seu estado emocional arruinará todo o projeto que você construiu até aqui. 
Mas o que você pode fazer para equilibrar seu estado emocional nestas semanas que antecedem a prova? Primeiro, continue focado nos seus estudos, se dedicando o máximo que puder. Priorize os exercícios, pois eles ampliarão sua capacidade de enxergar o conteúdo da forma como cairá na prova. Quanto mais questões você fizer, melhor será sua visão sobre essas questões.
Em segundo lugar, controle-se emocionalmente. Equilibre-se. Substitua o pensamento de medo que tem te controlado por um pensamento de confiança, de esperança, de otimismo. Livre-se do receio da derrota. Ela é uma possibilidade para todos. Concurso público, em regra, foi feito para reprovar. A maioria vai reprovar. Então não tenha medo de cair, porque essa é regra nos concursos. Ser aprovado é exceção. 
Enfim, ao invés de se preocupar com a derrota, lute para que ela não ocorra. Faça o seu melhor e fortaleça a confiança nos seus estudos. Acredite em você e na sua capacidade. Foque sua atenção no que importa, no que faz a diferença. Quanto mais preparado estiver, mais segurança você sentirá e, consequentemente, a sua dedicação ao que realmente é relevante será capaz de fazer toda essa ansiedade passar.
Daniel Sena, coordenador do Focus Concursos, professor de direito constitucional e especialista em concursos públicos. Facebook: /ProfDanielSena. Twitter: @ProfDanielSena. YouTube: ProfDanielSena.

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