Tempo de abundância para concurseiros em todo país

Ainda faltam dois meses para 2010 acabar, mas concurseiros de todo o país já estão com a cabeça em 2011. É justamente agora, com a página das eleições sendo virada, que as expectativas se agitam.

Redação
Publicado em 05/11/2010, às 14h53

Ainda faltam dois meses para 2010 acabar, mas concurseiros de todo o país já estão com a cabeça em 2011. Este fato decorre diretamente de certa escassez de processos seletivos de grande projeção em 2010. No ano em que o brasileiro dividiu suas atenções entre Copa do Mundo e eleições, a rotina daqueles que prestam concurso tornou-se ainda mais atribulada. É justamente agora, com a página das eleições sendo virada, que as expectativas se agigantam. “Em ano de Copa e de eleições é natural que tenhamos menos processos seletivos”, esclarece o professor da Academia do Concurso Paulo Estrella.

O advogado Allan Ramalho Ferreira acrescenta que essa carência de grandes concursos se deve a uma interpretação objetiva da lei 9.504/97. Ela determina que são proibidas aos agentes públicos, condutas que afetem a igualdade entre candidatos nas disputas eleitorais. “Em razão disso, a nomeação em pleitos eleitorais é vedada, visto que se mostra uma conduta tendente a afetar a isonomia de oportunidades entre os participantes, contrária à finalidade máxima do concurso público, que é a seleção dos candidatos que demonstrem maior eficiência para o desempenho da função pública”, finaliza o advogado.

Ferreira pontifica, também, que pelo fato do Poder Judiciário e o Ministério Público serem estruturas autônomas em relação aos demais poderes e por não demandarem voto popular para o preenchimento de seus quadros, não há risco da igualdade de oportunidades ser ferida. Mesmo assim, os órgãos preferem esperar para divulgar os editais. “O próximo ano será rico para a área de Tribunal”, preconiza Paulo Estrella. Sua previsão encontra respaldo na do professor Marcelo Portella, que prevê um contingente de aproximadamente 5 mil vagas em tribunais estaduais e federais. Segundo Portella, “os cofres públicos estão abarrotados” e isso deve incidir no ritmo da publicação de editais para novos processos seletivos. “Como o Estado tem como instrumento principal do aparato administrativo o recurso humano, os anos de 2011 e 2012 prometem ser um período de renovação, capacitação e ampliação dos servidores”, teoriza.

Preparação constante

A carioca Lorrayne Cabral de Mello, de 25 anos, já é servidora pública federal, mas continua buscando uma melhor colocação profissional. Com a bagagem de já ter participado de 11 concursos, a carioca que atualmente trabalha no Ministério da Fazenda se prepara para concorrer ao cargo de gestor público (nas esferas estadual e federal).

O foco de Lorrayne nessa seleção não é por acaso. “Trata-se de um cargo estratégico do poder executivo com atribuições e remuneração muito atraentes. Além de ser menos concorrido pela especificidade das disciplinas, principalmente em comparação com a área fiscal”, explica.

A percepção da carioca obedece a algumas das diretrizes apresentadas por especialistas ouvidos pela reportagem do JC&E. “É necessário se preparar antes de sair o edital”, exclama Flávio Monteiro de Barros, professor do curso FMB. Para Flávio, o concurseiro tem que avaliar a sua área de interesse e organizar um regime de estudos que prescinda do edital. “Existem as carreiras bancárias, policiais, fiscais e nos tribunais”, lista o especialista ao exortar sob qual critério deve se orientar o candidato ao elaborar um plano de estudos. “A rigor, o concurseiro ou concursando deve se preparar a médio prazo para concursos e não para um único concurso”, conclui o diretor pedagógico do curso Maxx, Alexandre Lopes.

É por essa cartilha que reza Lorrayne. “Dificilmente se está preparado o suficiente para um concurso quando sai o edital. Cargos com remuneração superior a R$ 10 mil, que naturalmente possuem um grande volume de matéria, exigem um preparo bem superior a 2 meses, que é o tempo médio entre o edital e a prova”, afirma a funcionária pública.

Portella atesta o comportamento de Lorrayne: “Hoje o estudante de concurso público já entende claramente a noção de espera para a realização do sonho”.

O que vem por aí

Nesta edição, o JC&E traz um painel detalhado e abrangente dos principais concursos previstos para os próximos meses e os especialistas consultados pela reportagem são enfáticos quanto a exuberância de 2011 em relação a oportunidades. Para Carlos Eduardo Guerra, assim como observado por Paulo Estrella e Marcelo Portella, o próximo ano será excelente para quem objetiva uma carreira em tribunais. “Teremos o Superior Tribunal Militar (STM), Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ), Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE/RJ), Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ/MA),Tribunal Regional do Mato Grosso (TRT/MT), Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE/PE),  Tribunal Regional do Trabalho 6ª Região (TRT 6ª Região),  entre outros”.

Alexandre Lopes lembra da crescente demanda da Segurança Pública no país. No que Paulo Estrella acrescenta: “Com a proximidade de eventos do porte da Copa do mundo e das Olimpíadas será necessário um aumento do efetivo e não só no Estado do Rio de Janeiro”. A Polícia Federal, por exemplo, já prepara uma grande oferta de oportunidades com salários a partir de R$ 2.889,97.

Os processos seletivos de órgãos ligados ao executivo federal, setor que parecia adormecido, ressurgirão com força após as eleições. O orçamento geral da União prevê a criação de até 40.549 cargos em 2011. Deste total, 19.672, quase a metade das vagas previstas, serão preenchidas por concursos no Poder Executivo Federal. “Será um período excepcional para quem presta concursos públicos, em especial na área do Governo Federal, porque se anuncia preenchimento de cargos para Receita Federal e INSS, em diversas modalidades”, argumenta o professor Clever Vasconcelos, da rede de cursinhos Damásio.

“Ainda existe a expectativa pelos novos editais do Ministério Público da União (MPU)”, lembra Flávio Monteiro de Barros em referência a lei, sancionada em setembro, que cria 6.084 cargos efetivos.

Como pode se observar, o concurseiro terá muitas opções nos próximos meses. Alexandre Lopes, no entanto, ressalta: “é excelente termos um ano com muitos concursos, desde que haja uma preparação adequada por parte dos candidatos”.

A palavra dos especialistas:

Flávio Monteiro de Barros

“É necessário se preparar antes de sair o edital”.

Paulo Estrella

“O próximo ano será rico para a área de Tribunal”.

Clever Vasconcellos

“Concurso na área da Polícia Federal vê-se como muito provável já para o primeiro semestre de 2011, sem esquecer as carreiras jurídicas”.

Alexandre Lopes

A demanda da Administração Pública é crescente. Principalmente em segmentos mais específicos, como a área de segurança pública”.

Marcelo Portella

“A oscilação natural e a sazonalidade do concurso público em termos de calendário não é efetivamente um problema para quem tem definido o objetivo”.

Carlos Eduardo Guerra

“Como se nota, 2011 será um excelente ano para o segmento dos Tribunais em todo o país”.

José Luis Romero Baubeta

“Teremos a abertura de concursos de grande extensão como o do INSS. Serão lançadas mais de 2,5 mil vagas em todo o país”.

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