Novas denúncias abalam concurso de 750 vagas

Candidatos teriam fraudado a aplicação das provas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais.

Redação
Publicado em 12/11/2009, às 16h32

O concurso de 750 vagas da Polícia Rodoviária Federal é alvo de novas denúncias: candidatos teriam fraudado a aplicação das provas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais. Vale destacar que as denúncias foram feitas após o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro ter considerado o concurso isento de irregularidades. Os candidatos já podem conferir o resultado final do concurso na página da Funrio na internet.

Um dos primeiros a receber denúncias foi o juiz federal William Douglas, também colaborador do JC&E. Na terça-feira (10) ele recebeu um envelope contendo cópias dos cartões de resposta de um grupo de candidatos. O magistrado também recebeu telefonemas afirmando que os dez primeiros colocados fizeram a prova na mesma sala e que já teriam sido aprovados em outros concursos da Funrio.

As denúncias também relatam que os primeiros colocados no RJ, SP e MG tinham nota muito superior a dos aprovados nos demais estados. A informação pôde ser confirmada porque o site da organizadora foi alvo da ação de um hacker no início da semana. O ataque disponibilizou a todos os concurseiros da PRF a visualização do cartão dos concorrentes.

Os candidatos suspeitos teriam realizado a prova em sala extra, procedimento geralmente adotado em casos excepcionais. Outro ponto da denúncia é que estes candidatos teriam feito a prova em local diferente do determinado no cartão de informação: alguns deveriam ter prestado o exame em na capital paulista, mas a realizaram a 1.326 km dali, em Cuiabá (MT). A capital do Mato Grosso também recebeu os candidatos que se classificaram como os melhores dos três estados.

Segundo a Funrio, uma das possíveis explicações para os candidatos terem feito a prova em local diferente do determinado no cartão dos inscrições foi a decisão da organizadora de permitir esse procedimento em razão do acordo realizado com o Ministério Público Federal em outubro. Pelo acordo, não seria mais aceito que o candidato se inscrevesse por mais de uma região – assim as inscrições extras seriam canceladas, o valor pago ressarcido, e os concurseiros fariam a prova no local para o qual haviam se inscrito primeiro. A aceitação para que a prova fosse realizada em outra localidade, em sala extra, teria o objetivo de minimizar o prejuízo aos inscritos que tiveram como primeira opção locais distantes de seu domicílio e também aqueles que tiveram dificuldade de encontrar o local de prova.

A organizadora ainda declara que os candidatos apontados como fraudadores foram identificados por um sistema de segurança eletrônico chamado de Sherlock. O detetive virtual identifica possíveis irregularidades no preenchimento dos cartões, faz análise estatística de coincidências entre os gabaritos e detecta cartões com alto índice de acerto entre os candidatos. De acordo com a Funrio, por esse sistema 27 candidatos foram excluídos do resultado final. Outros 45 foram excluídos por irregularidades como preenchimento incorreto do gabarito, tentativa de cola, etc.

Dentro de 10 a 15 dias deve sair o resultado da sindicância promovida pela Funrio, que será encaminhado à Polícia Federal e ao MPF.

O material recebido pelo juiz William Douglas foi encaminhado ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Ele defende que os elementos apresentados são suficientes para que haja a anulação do concurso. “Houve perda da credibilidade: tem que começar do zero”, disse à reportagem. Na visão do juiz, a fraude em concurso caracteriza crime de estelionato. “Não basta retirar as pessoas do concurso, isso é caso de investigação criminal. O ideal é que alguém vá preso”, concluiu.

Procurado, o MP informou que só deve se pronunciar quando o procurador responsável pelo caso retornar de férias, em 9 de dezembro.

Saiba mais

A Funrio também organiza o concurso de 566 vagas do Ministério do Planejamento e Orçamento que foi alvo de denúncias de irregularidades pelo MPF de Roraima – confira aqui a íntegra da matéria. A empresa também foi uma das participantes do consórcio Conasel, responsável pela aplicação das provas Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), junto com o Instituto Cetro e Consultec - veja aqui a íntegra da matéria do JC&E.

Aline Viana/SP


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