Muito estudo antes de se tornar um oficial

Professores dão dicas sobre a prova de conhecimentos gerais e língua portuguesa para o TJ de São Paulo.

Redação
Publicado em 28/08/2009, às 15h42

Executar as tarefas referentes a citações, intimações, penhoras e até mesmo prisões de caráter civil (decorrentes do inadimplemento da obrigação de pagar pensão alimentícia, por exemplo) são algumas das atribuições do oficial de justiça. Considerado como “as mãos do juiz”, é ele o responsável por executar, de forma efetiva, as determinações que o juiz registra no papel. Aos interessados em tornar essas tarefas um hábito corriqueiro do dia a dia, foi recentemente divulgado o edital do concurso que oferece 500 vagas para o cargo de oficial no Tribunal de Justiça de São Paulo. No entanto, para os que almejam um dia exercer as ocupações do disputado cargo, é necessário antes de tudo acertar boa parte – senão todas – as 80 questões da prova objetiva, que será realizada na data provável de 11 de outubro. Até lá, os candidatos devem se preparar para responder as 20 questões de língua portuguesa, quatro de atualidades, oito de matemática, oito de informática, além de 40 questões de conhecimentos em direito.

As provas de língua portuguesa e conhecimentos em direito serão de caráter eliminatório, e o candidato deverá obter, no mínimo, 50% de acerto em cada uma das avaliações. Os exames serão avaliados na escala de zero a dez pontos. Assim, será considerado habilitado o candidato que obtiver nota igual ou superior a cinco pontos na média do conjunto das provas, observando-se 50% de acerto em cada uma das avaliações de caráter eliminatório.

Português e Interpretação de Textos - Na opinião do professor de Português, Interpretação de Textos e Redação, Renato Aquino, a prova de língua portuguesa requer cuidados especais. O ideal é que o candidato frequente assiduamente um bom curso. “O convívio com outros candidatos é, normalmente, muito benéfico. Além disso, é comum que se organizem grupos de estudos em que a ajuda no entendimento da matéria é recíproca e estimulante”.

A dica do professor é resolver o maior número possível de exercícios, além de buscar provas elaboradas pela banca. “Há uma tendência maior, na atualidade, de cobrar nos concursos as matérias de maior relevo para a redação. Assim, são fundamentais a concordância, a regência, a crase, a acentuação, a pontuação, a flexão verbal, a colocação pronominal e a coesão textual.

Questões de análise sintática ou de classes gramaticais não estão descartadas, obviamente, mas tendem a aparecer menos”. Outro ponto importante é que a ortografia (acentuação, emprego de letras, emprego de hífen etc.) a ser considerada será a anterior ao Decreto Presidencial 6583/08, ou seja, vale a ortografia antiga. Assim, palavras como idéia e vôo permanecem acentuadas; o trema continua valendo; infra-estrutura, auto-retrato, pseudo-sábio e outras prosseguem grafadas com hífen.

Segundo Renato, a principal dificuldade costuma ser a falta de base oriunda dos tempos de escola ou mesmo faculdade. Outro problema é que alguns candidatos acreditam que podem estudar português apenas decorando. “Uma língua, na realidade, precisa ser entendida”, argumenta. Para exemplificar, o professor utiliza a frase "Tenho muito dinheiro" e explica que o candidato desprevenido, que apenas tenta decorar, destaca a palavra muito como advérbio de intensidade porque memorizou, em outras épocas, que muito, bastante, pouco etc. são advérbios de intensidade. “Se observarmos, no entanto, o relacionamento das palavras na frase dada, veremos que muito acompanha um substantivo (dinheiro), sendo, portanto, um pronome. Para reforçar essa ideia, pode-se trocar a palavra dinheiro por uma palavra feminina ou no plural, situação em que teremos muita ou muitos: muita paciência, muitos amigos. Assim, evidentemente, não pode ser advérbio, que é invariável”.

No caso da interpretação de textos, o docente indica que o bom desempenho é, acima de tudo, treinamento. “Fundamental é mergulhar nos textos, resolver questões sem desanimar e consultar o gabarito apenas depois de encerrado o teste. Todos sabem ler e, consequentemente, têm condição de compreender ou interpretar aquilo que leem”.

Atualidades Globalização e blocos econômicos, organismos de créditos multilaterais, aspectos demográficos do Brasil e do mundo, conflitos, questões e problemas ambientais, agricultura (agrobusiness, desmatamento, contaminação dos mananciais, queimadas etc.), pecuária e desmatamento, exploração mineral (pré-sal, minerais metálicos e estratégicos), transporte e comércio. Todos esses assuntos estampados nas mais diversas publicações, entre jornais, revistas e páginas da internet, devem atrair a atenção dos candidatos ao cargo de oficial de justiça.

Segundo o professor Lino Pires, as questões mais pedidas, muito provavelmente, tratarão sobre estes tópicos. E quem estava um pouco desatento e desligado sobre o que estava acontecendo no Brasil e no mundo, o trabalho é mais que dobrado: “o ideal é pesquisar os principais fatos e notícias publicados desde o início do ano”, reforça o professor.

A principal dica é ler uma revista de informação semanal, um bom jornal e estar antenado nos principais fatos e notícias, sobre diversas áreas, pois é necessário estar informado sobre tudo o que acontece em âmbito nacional e internacional. Segundo Lino Pires, o problema nos exames que cobram a disciplina de atualidades é que grande parte dos candidatos pensa que é uma matéria fácil. “Não é só ler um jornal qualquer, ou assistir o noticiário da televisão. Só na hora da prova é que os candidatos acabam sabendo que não é bem assim. Somos o que construímos ao longo de nossa vida escolar e profissional, nada é fácil, tem muita gente bem preparada, tanto que os principais cursos preparatórios possuem uma boa carga horária para essa disciplina”.

Informática - No caso do exame de informática, a prova abordará sistema operacional Windows XP e suas funcionalidades, Hardware (equipamentos e periféricos de computador), pacote Microsoft Office, sistemas de arquivos do Windows, backup, uso de navegador de Internet, uso de rede de computadores, protocolos e segurança da informação. Embora pareça um programa extenso, o servidor público estadual e professor de cursinhos preparatórios, Rodney Idankas, explica que o conteúdo é o mesmo cobrado em outras seleções.

Sobre o sistema operacional, a dica de Rodney é que o candidato procure conhecer bem as funcionalidades de operação do Windows XP, além dos programas das ferramentas de sistema, como uso da interface GUI, multitarefa e multiusuário. “Perguntas sobre registro do Windows, multifuncionais e memórias (RAM, ROM e Memória de Massa) são pontos que as bancas examinadoras gostam de cobrar dos candidatos”, adverte.

Também será cobrado do candidato conhecimento de hardware (equipamentos). Para Rodney, conhecer os principais periféricos (multifuncionais, scanners, impressoras, leitores biométricos etc.) e as principais partes e funcionamento dos equipamentos de informática pode garantir mais pontos na disciplina.

Na maioria dos concursos, o pacote Microsoft Office está presente, por isso também exige atenção na prova para oficial. “Word e Excel são os pontos relevantes que devem ser cobrados”, explica Rodney, advertindo que é essencial manipular bem o Word (saber formatar um texto, usar cabeçalhos e rodapés e conhecer as principais teclas de atalho etc.). No estudo da planilha de cálculos Excel, é importante saber usar os operadores matemáticos e conhecer as principais fórmulas. “Lembre-se também das linhas, colunas e células relativas e absolutas (aquelas que usam o sinal de $) e nunca se esqueçam que as fórmulas do Excel devem sempre começar com o sinal de igual ( = )”.

Na opinião de Jorge Ruas, também professor de cursos preparatórios para concursos, a informática adquire tamanha importância nos concursos públicos pelo fato de que hoje ninguém vive sem ela. “Na administração pública, todo e qualquer trabalho necessita do computador. Acompanhamento de processos, a troca de informação, requerimentos, as leis e normas internas e procedimentos são atos que em função do sistema, tudo informatizado”.

Matemática – Com oito questões, o exame de matemática prevê perguntas sobre operações com números inteiros, fracionários e decimais; sistema métrico (medidas de comprimento, área, volume, capacidade, massa e tempo); divisibilidade; juros e percentagem; razões e proporções, regras de três simples e composta; divisões proporcionais; sistema do 1º grau; potenciação; radiciação; equação do 2º grau. E, segundo o professor de Matemática e Raciocínio Lógico em cursos preparatórios, Benjamin César, em provas com esse tipo de programa todos os assuntos serão cobrados. “Não subestime qualquer tópico, estude todos, faça muitos exercícios. Matemática você aprende quando exercita bastante”, adverte. 

Também na prova de matemática, o candidato deverá utilizar o que exercitou para a disciplina de interpretação de texto, pois o maior risco está em uma compreensão errônea da questão. “Em geral, interpretações equivocadas levam a soluções cuja resposta está prevista na múltipla escolha. Portanto, atenção na leitura”, alerta o professor.

Benjamin explica que, no caso desta disciplina, a principal dificuldade é o preconceito. “Muitas vezes o estudante parte da premissa que matemática é muito difícil e que jamais irá aprender. Não é verdade, você pode não vir a ser um exímio estudante de matemática, mas resolver os problemas da prova todos podem”. Portanto, o importante é praticar.

Nina Rahe/SP

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