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A verdade não tem preço

Recentes episódios de notícias falsas interferindo em questões cruciais reacendem a importância de buscar informações em veículos jornalísticos e com credibilidade



Leandro Cesaroni
Publicado em 19/04/2017, às 15h05

Quando a internet começou a chegar nas casas das pessoas, em meados dos anos 90, muito se discutiu sobre como ela poderia colaborar com a comunicação, abrindo as portas de um ambiente onde informações circulam livremente e sofrem atualizações constantes. Mais tarde, com o advento das redes sociais, principalmente do Facebook, passou-se a discutir sobre os benefícios da democratização da informação, oriunda sobretudo da possibilidade de qualquer pessoa publicar algo que seja capaz de chegar a muitas outras. 
Até então, só se via vantagens nessa abertura.
De uns tempos para cá, entretanto, vieram os primeiros problemas: visando lucro fácil, muito conteúdo falso ou mentiroso passou a ser despejado na rede. Despreparados para perceber se as informações são, de fato, verídicas, os usuários começaram não só a acreditar nesses conteúdos, mas também a recomendá-los, o que costuma fazer com que essas páginas ganhem mais relevância e atinjam ainda mais pessoas, potencializando o problema.
Foi o que aconteceu, por exemplo, nas eleições dos EUA. Muito tem se falado sobre a possibilidade de notícias falsas terem influenciado diretamente nos resultados, levando o candidato republicano, Donald Trump, a uma vitória no mínimo surpreendente ante a democrata Hillary Clinton. Um estudo realizado pelo BuzzFeed News chegou a constatar, inclusive, que 20 notícias falsas sobre as eleições nos EUA tiveram mais alcance que as principais histórias eleitorais divulgadas por grandes jornais, como New York Times e Washington Post.
Em meio à polêmica – e, a partir de então, cientes do estrago que uma notícia falsa pode trazer – empresas como o Google e o Facebook começaram a pensar em soluções para tirar a relevância de conteúdos falsos ou mentirosos, como facilitar as formas de denunciar essas páginas (Facebook) e bloquear com mais frequência a exibição desses mesmos sites nos resultados de busca (Google).
Enquanto essas soluções não forem suficientes para sanar de vez o problema, é importante seguir algumas recomendações para ter certeza de que o você está lendo é, de fato, verídico, como, por exemplo, verificar a data de publicação da notícia, certificar-se da existência de fontes que tragam veracidade àquela informação, desconfiar do uso exagerado de adjetivos e, o mais importante: verificar o histórico do veículo que publicou a informação. Redações com jornalistas profissionais, sejam de veículos novos ou tradicionais, mantêm critérios de checagem em suas reportagens. E quando se deparam com algum erro, essas redações costumam corrigi-los. 
Por isso, não caia na mentira (e muito menos recomende-a). Sempre que precisar buscar ou checar uma informação, opte pela credibilidade dos veículos jornalísticos, onde a ética e a verdade estarão sempre acima de qualquer outro valor.

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