O que há por trás de um concurso público

Da elaboração do edital à homologação do concurso, o trabalho dos organizadores é dividido em várias etapas.

Redação
Publicado em 04/11/2008, às 14h31

Certamente, já surgiram alguns pontos de interrogação na cabeça de quem se prepara para prestar concursos públicos. Quem organiza? Quem elabora o edital e as provas? O que é feito para evitar fraudes em um processo?

Para esclarecer estas e outras dúvidas, o JC&E visitou a sede do Instituto Cetro, que trabalha na organização de concursos há 18 anos e já realizou 633 processos em todas as regiões do Brasil.

Como tudo começa

Assim que determinado órgão recebe autorização para realizar um concurso, é preciso escolher qual organizadora tomará frente do processo e assinar um contrato de prestação de serviços.

No caso do Cetro, logo que se assina o contrato, são designados responsáveis de vários departamentos do instituto para entrarem em contato com o cliente e conhecerem sua necessidade, ou seja, o tipo de colaborador que a empresa deseja contratar. “Um concurso analisa competências. É preciso aprovar candidatos com o perfil solicitado pelo cliente”, afirma o Diretor-Presidente do Cetro, Professor Archimedes Baccaro.

Como explica o Professor, para cada concurso, são eleitos um Técnico do departamento de planejamento (responsável pela preparação do edital e divulgação) e um Técnico do departamento de testes e medidas (responsável pela elaboração das provas) para acompanhar todo o processo. Quando o concurso prevê ainda etapas de avaliação psicológica e de cursos de formação, Técnicos desses setores também atuam junto à empresa contratante.

Edital e Provas      

A elaboração do edital pode durar de dois a três dias ou, no máximo, uma semana. Nesse ponto, é importante verificar as leis que regem aquele concurso. Por isso, quando o documento fica pronto, é analisado pela diretoria jurídica do Instituto. “No edital deve constar tudo o que é importante, ele é a regra do jogo”, ressalta Baccaro.   

No Cetro, as provas são preparadas, grande parte das vezes, na própria sede do Instituto, em São Paulo (SP). Existe uma equipe de pedagogos do Cetro e ainda um cadastro de pessoas que compõem a banca examinadora. “Um profissional escalado para fazer uma prova fica numa sala isolada para elaborar as questões”, esclarece o Professor.

Logística

Nem as provas nem o edital. De acordo com Baccaro, o mais trabalhoso de um concurso é cuidar de toda a logística. Aqui, é preciso escolher os locais de prova e as pessoas que irão trabalhar no dia, como será feita a reprodução e o transporte das provas, entre outros itens.

Quando um concurso acontece em várias regiões do país, os locais de aplicação dos exames – normalmente escolas e universidades – são escolhidos pelos coordenadores dos escritórios regionais do Instituto Cetro. Funcionários dessas escolas e universidades são escalados para atuar no dia do exame. “Fazemos um treinamento e uma seleção prévia para verificar quem tem condições de trabalhar na aplicação do exame. Há ainda uma supervisão constante por parte da nossa equipe”, diz Baccaro.

Segurança

Segurança é a palavra-chave na realização de um concurso. No Cetro, todo funcionário assina um termo de compromisso e, caso seja constatada alguma irregularidade, ele responde civil e criminalmente pelo problema.

A gráfica onde são rodadas as provas se localiza no próprio Instituto. Tudo é filmado 24 horas por dia e, para entrar no local, é preciso ser revistado. “Nem eu tenho autorização para visitar a gráfica”, afirma Baccaro.

Até mesmo o lixo precisa ser controlado. Segundo o professor, no período de impressão de uma prova, o lixo não sai da gráfica e, depois, é incinerado.

Para distribuir as provas, a segurança é redobrada. Elas saem da sede do Instituto totalmente lacradas, há um lacre na própria prova, outro no malote e um último na caixa.

São inúmeras as etapas que fazem parte de um concurso, mas o período para executá-las pode ser considerado curto. Segundo o Diretor-Presidente do Cetro, o tempo varia de acordo com o porte do certame, mas a maioria é realizado num prazo de 60 a 90 dias. Não à toa, em um único processo, ficam envolvidas entre 30 e 40 pessoas.

Talita Fusco/SP      

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