Uma prova com 120 questões de língua portuguesa?

Você sabe quantas questões de língua portuguesa podem estar contidas em uma prova de concurso? A maioria dos concurseiros se esquece de que todas as questões de uma prova estão em língua portuguesa

Janaina Arruda
Publicado em 02/08/2016, às 15h41

Existe uma informação que talvez você, concurseiro, desconheça. Você sabe ao certo quantas questões de língua portuguesa podem estar contidas em uma prova de concurso? Acredito que você esteja pensando no último edital que você leu para responder a essa pergunta. Vou facilitar para você. Que tal usarmos como referência a última prova da banca Cespe/UnB para o concurso do INSS? Pois bem, você deve ter respondido: 15 questões. Totalmente equivocado!
A prova do INSS apresentou 120 questões de língua portuguesa! Exatamente! Você leu direito, 120 questões! Você deve estar pensando que há algum erro com essa contagem, mas não há. A maioria dos concurseiros não sabe, ou esquece, que todas as questões mencionadas em uma prova estão em língua portuguesa. Ainda que tenhamos conteúdos muito particulares e outros que façam uso de cálculos, por exemplo, todos os comandos das questões precisam ser lidos e compreendidos. 
Posso dizer mais, posso dizer que muitos dos conteúdos precisarão ser interpretados para que a questão seja respondida de forma correta. Isso não é um exagero. Muita gente tem dificuldade de compreender o que a questão está pedindo. Muitos conhecem fórmulas, dados, estatísticas, leis, decretos, mas, na hora de colocar o conhecimento em prática, acabam não entendendo a questão. 
Existem muitos concurseiros que dizem saber responder qualquer questão de raciocínio lógico, por exemplo, basta que a questão esteja bem explicada! Como assim “bem explicada”? Uma das competências avaliadas em concursos é a capacidade de compreender e interpretar a questão! 
Infelizmente esse problema com a leitura não é um caso em particular. A maioria das pessoas possui uma formação leitora deficitária, pouco estimulada e que foi se formando “aos trancos e barrancos” ao longo da vida escolar. 
Quer um exemplo concreto? Segundo o Instituto Pró-Livro, a média de livros lidos por brasileiros no ano de 2015 foi de 2,43 por habitante! Isso quer dizer que a média não chega nem a três livros por ano! Você pode estar pensando que essa é uma média boa, mas compare com a Espanha, lá a média é de 11 livros/ano por habitante! 
Quer saber o que a leitura tem a ver com o concurso? Simples, a leitura é formadora de leitores capazes de pensar criticamente, de organizar ideias de modo lógico no momento da escrita de textos, de facilitar a compreensão e a interpretação de questões, ou seja, o concurseiro leitor será mais eficiente para responder a uma prova e, ainda, desenvolver um bom texto. 
Faça um comparativo com o seu próprio desempenho. Calcule quantas questões você já errou porque não entendeu muito bem o enunciado ou porque sequer entendeu o que era pedido. Provavelmente você conseguirá entender a importância da língua portuguesa depois dessa breve análise. 
Mas como melhorar esse desempenho? Essa é a grande questão a ser respondida. Não existe segredo ou atalho nesse processo. Nós nos formamos leitores ao longo da vida, não existe uma pausa nesse processo. À medida que vamos desenvolvendo o hábito pela leitura, vamos percebendo como essa prática é capaz de alavancar nossa capacidade de concentração, de entendimento e de organização mental. 
Bons leitores são aqueles que fazem uso dessa ferramenta intelectiva para o próprio crescimento, pois a leitura não auxilia somente no desempenho em provas de concurso; a leitura trabalha na formação humana. Infelizmente, a maioria das pessoas não enxerga de imediato o valor de um livro, muitas vezes a valorização só chega quando se percebe a deficiência que se carrega ao confrontar-se com um texto. 
Muitos concursos fazem uso, por exemplo, de textos literários para desenvolver questões de língua portuguesa, o que não é coisa fácil. Outras vezes, o texto de lei é apresentado e uma vírgula fora do lugar pode culpar ou inocentar alguém. Sem contar os problemas matemáticos que passam pela fronteira da interpretação antes de qualquer cálculo. 
Nunca é tarde para se fazer o que é certo, já me disseram isso há um bom tempo! Portanto, nada de acreditar que o seu tempo já passou ou que não existe espaço no concurso para a leitura. O começo sempre será mais difícil, mas nada que um pouco de perseverança e motivação não resolvam. Que tal começar com atualidades? Além de exercitar a leitura, pode ser conteúdo de prova! Jornais e revistas podem auxiliar nessa aproximação com as letras. 
O resultado? Depois de aprovado você me responde!
Janaina Arruda é professora de língua portuguesa no AlfaCon Concursos Públicos

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