Uma jornada a ser dirigida

Confira o texto desta semana que conta a trajetória de Vebis Júnior, Mestre em cinema/artes visuais

Redação
Publicado em 15/02/2013, às 15h27

“Era complicado ingressar em uma universidade e fazer um curso desacreditado. Mas desafiei a mentalidade operária dos meus pais que cresceram e viveram o movimento metalúrgico do ABC Paulista das décadas de 70 e 80 e fui sim estudar cinema”. Foi com esta determinação que Vebis Stevanin Júnior se dedicou à sétima arte.

Vebis é bacharel em Comunicação em Audiovisual e Multimídia pela universidade Metodista de São Paulo e Mestre em Cinema/Artes Visuais pela Unesp (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”). Atualmente leciona e é coordenador do curso de Produção de Áudio e Vídeo no Centro Paula Souza.

Ele conta que a Escola Técnica Estadual (Etec) Jornalista Roberto Marinho, na capital paulista, onde trabalha, surgiu “às pressas” e quando apareceu a oportunidades de fazer a aula teste para ser professor as pessoas não aprovavam muito. “Muitos amigos e professores ridicularizavam o valor hora/aula, pois o que se ganhava em algumas faculdades chegava a ser cinco vezes mais do que na Etec. Mas fui encarar porque algo me chamava atenção neste desafio”.

O contrato era de um ano e quando terminou o prazo começaram a sair os concursos públicos. Foi então que ele se inscreveu, passou e foi efetivado como funcionário público. “Para os familiares, que pensam na estabilidade do emprego, agrada, é claro; e um curso de Produção Audiovisual em uma instituição como o Paula Souza é uma novidade instigante para muita gente”.

Ao ser questionado sobre a vontade de dar aulas, o professor diz que para conseguir mais dinheiro enquanto era assessor de vereador ele ministrava aulas e oficinas culturais nas Prefeituras. “Forma que me lapidou a didática e a pedagogia de lecionar”. E completa: “peguei gosto pelo ensino de cinema que me obriga a ampliar todo dia o conhecimento das culturas mundiais pelo viés cinematográfico” .

Quanto à escolha pelo cinema, o coordenador afirma que o amor por esta arte começou desde criança, quando reunia os amigos pra ver filmes alugados em locadoras. Mas diz que esse sentimento se intensificou quando fez uma oficina cultural com o diretor Carlos Reichenbach. “Ele já era meu ídolo do cinema nacional. Com ele aprendi a amar mais o cinema. Ter olhos livres de preconceito. Dali surgiu a chance de dar assistência a ele na direção do filme ‘Garotas do ABC’”.

Vebis diz que lecionar é muito bom, “por pensar que estamos preparando a jornada de novos jovens com uma visão mais solta do universo de cinema, Tv e mídias”. Ele conta orgulhoso sobre o convite que recebeu de uma fundação mantida pelos Jesuítas, chamada Fé e Alegria, que ajuda na formação pedagógica de pessoas carentes: “Fui convidado a ministrar um curso de férias em Gurupi, Tocantins, para jovens infratores, de casa de passagem e meninos pobres do bairro. Me deixou satisfeito ver uma comunidade que não conhecia nada de cinema passar por um intensivo de uma semana aprendendo teorias e análises cinematográficas e encarar a produção de um curta-metragem. Eles fizeram e ficou muito interessante”.

Para ele, trabalhar com a sétima arte é lidar com o universo em constante mutação. “Quando você se apega a um segmento do cinema, logo surge outro pra balançar nossos gostos”. O professor diz que quem trabalha com produção tem que viajar muito e talvez por isso tenha escolhido ensinar ao invés de só praticar. “Sou uma pessoa bairrista, preferi formar profissionais pra estes campos”.

Como objetivo maior, o professor tem o desejo de dirigir. Dirigir um longa-metragem sobre briga de gangues no ABC paulista e sua moto Harley-Davidson pela América Latina e Europa. Mas, citando o poeta Guimarães Rosa, não se dá por satisfeito: “‘O animal satisfeito, dorme’. Eu penso que qualquer que seja nossa vocação, jamais devemos nos dar por satisfeitos. Os desafios se renovam a cada conquista e são com eles que adquirimos garra para mais batalhas e amadurecimento profissional”.  E finaliza: “Tenho uma jornada maior pela frente”.

Carolina Pera

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