Apenas 18% dos profissionais recebem auxílio da empresa para pagar internet no home office

Apesar da incerteza em torno do novo modelo de trabalho, para 53% dos profissionais, home office veio para ficar, diz pesquisa do Indeed

Douglas Terenciano | douglas@jcconcursos.com.br
Publicado em 14/09/2021, às 10h25 - Atualizado às 10h40

Home Office
Divulgação

Com o avanço da vacinação no Brasil, muitos profissionais voltaram a trabalhar presencialmente nas empresas. Porém, é grande o número de companhias que adotaram o modelo home office como definitivo e, com isso, a modalidade ganhou força nas discussões sobre como será o trabalho no pós-pandemia. O site de empregos Indeed realizou uma pesquisa com mais de 800 pessoas em julho de 2021 e revelou que apenas 18% dos trabalhadores recebem algum auxílio para serviços de telecomunicações, como internet e telefone.

Além disso, a pesquisa ouviu profissionais de diversas regiões do país sobre o que esperam do futuro. Embora o cenário ainda esteja envolto por incertezas, mais da metade dos participantes (53%) acreditam que o trabalho remoto veio para ficar. Já 30% acham que se trata apenas de uma fase. Além disso, muitos profissionais acreditam que o home office está provocando transformações importantes no mercado de trabalho. Para 22%, ele aumentará a concorrência e tornará mais difícil encontrar um emprego. Mas 35% têm uma visão mais otimista: para eles, ficará mais fácil achar um emprego.

"O trabalho remoto permite que profissionais de diferentes localidades concorram às vagas, o que amplia as oportunidades para os profissionais que moram longe dos grandes centros. Por outro lado, isso pode aumentar a concorrência em alguns casos", pondera Felipe Calbucci, diretor de vendas do Indeed no Brasil.

Vantagens e desvantagens do trabalho remoto

Quando perguntados sobre as principais vantagens do home office, 60% citaram a economia em transporte, alimentação fora de casa e outros gastos ligados ao deslocamento. As outras vantagens mais citadas são um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional (55%), não precisar pegar transporte público ou congestionamentos (54%) e ter mais tempo para tarefas domésticas e familiares (47%). Uma parcela pequena, de 8%, apontou ainda o fato de não precisar socializar com colegas de trabalho. Cada participante podia escolher até três alternativas. 

"O deslocamento até o local de trabalho costuma ser um grande fator de estresse para muitos profissionais brasileiros. Além dos custos elevados com passagens e combustível, sente-se que o tempo gasto nesse percurso (muitas vezes em condições nada confortáveis) poderia ser empregado de forma muito mais satisfatória em outro lugar", explica Felipe.

Por outro lado, o home office requer uma estrutura que não tem sido levada em conta pelos empregadores. Entre todos os profissionais ouvidos, apenas 36% disseram ter recebido treinamento e acesso a ferramentas digitais para otimizar o trabalho em equipe e só 35% receberam da empresa o equipamento necessário para fazer seu trabalho adequadamente. Os períodos de desconexão só têm sido respeitados por gestores e colegas de 33% dos respondentes.

Mas o problema mais comum parece estar nos custos do home office, que não estão sendo ressarcidos pelas empresas. Apenas 11% disseram que o empregador paga o custo proporcional da eletricidade e 18% recebem o custo dos serviços de telecomunicações, como internet e telefone.

Os profissionais ouvidos pela pesquisa

A pesquisa do Indeed ouviu 847 profissionais de diferentes áreas em julho de 2021. Desses, 65% trabalhavam de forma totalmente presencial antes da pandemia, 15% trabalhavam remotamente apenas em situações atípicas, 11% trabalhavam de forma totalmente remota e 9% tinham flexibilidade para escolher.

Com a Covid-19, esse panorama se alterou significativamente. Apenas 32% estavam trabalhando de forma totalmente presencial, mesma porcentagem daqueles que disseram estar num trabalho totalmente remoto. O trabalho híbrido faz parte da rotina de 18%; outros 18% estavam indo ao escritório apenas em ocasiões especiais.

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