A cada duas mãos, um cérebro

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 27/03/2015, às 10h40

Quem não se lembra do filme Tempos Modernos, estrelado por nosso inesquecível Charles Chaplin? Para muitos, uma excelente comédia. Para outros, uma crítica sobre o modelo mecanicista de trabalho. O filme é de 1936, mas, ainda hoje, poderia ser aplicado às nossas organizações. Para quem não assistiu, o filme retrata uma classe trabalhadora que apenas executa uma determinada tarefa, de forma repetitiva e sem nenhum significado. Na parte superior da indústria, um comandante, que acelera a velocidade da “esteira”. Na parte inferior, “os bracinhos”, que se apressam em apertar parafusos.

Hoje, nas organizações, existe um discurso bastante humano e compartilhador sobre as relações com os empregados. Tanto que não se usa mais a palavra “empregado”, mas “colaborador”. Entretanto algumas empresas não permitem que o “colaborador” colabore de fato, ao contrário, transformam-no em “executor”.  Segundo o britânico Gareth Morgan, em seu livro Imagens da Organização, as organizações podem ser vistas como máquinas, cérebros ou organismos. E a diferença entre essas metáforas é bem fácil de entender.

Como máquinas, essas organizações limitam o desenvolvimento das capacidades humanas. Como cérebros, existe uma cúpula que emite comandos para as demais áreas executarem. Mas, se vistas como organismos, essas organizações integram os indivíduos, proporcionando sua constante interação no ambiente da empresa. Ocorre, nelas, algo semelhante ao que ocorre num corpo humano vivo: órgãos diferentes, mas com atuações que levam a um resultado comum. Você já percebeu que uma empresa funciona de forma semelhante a um organismo? Cada “pedacinho” (suas áreas) é vital para o sucesso geral. Os trabalhadores são os responsáveis pelo funcionamento de cada área da empresa, sem esquecer que uma área depende da outra.

Infelizmente, muitos trabalhadores não se colocam nesse sistema orgânico de forma interativa. Alguns preferem ficar à margem (à beira) de tudo que está acontecendo na empresa. Daí ouvimos aquela velha frase: “Isso não é comigo.” Sei que muitos comportamentos semelhantes são incentivados pelas próprias organizações, que privam seus “colaboradores” de pensar. Mas quero, aqui, destacar a importância de você, caro trabalhador, posicionar-se como parte desse organismo. Seja alguém que oferece ideias, que pensa e se envolve com tudo que compõe sua tarefa. Vá além daquilo que executa. Descubra o real significado de suas atribuições e tente inovar. Para aquele que atua numa empresa que o limita a apertar parafusos, talvez seja a hora de repensar sua sobrevivência no mercado de trabalho, pois, para apertar parafusos, não é preciso cérebro, apenas mãos. Temos, atualmente, cerca de quatorze bilhões de mãos no planeta. Uma concorrência bastante relevante, não acha? 

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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