Passa ou repassa?

Artigo do professor Edison Andrades.

Redação
Publicado em 28/05/2012, às 13h14

Sem dúvida, o ato de demitir um profissional é uma das piores tarefas de um líder. E sempre vem aquele questionamento: “Quem deve realizá-la?”. Essa pergunta paira no ar. Então se inicia o “passa ou repassa”. Todos desejam isentar-se de tal função.

Uns acham que isso é papel da área de recursos humanos, já que foi por lá que o colaborador ingressou na organização. Outros pensam que o gestor geral é quem deve realizar a demissão. Ou essa seria uma função do gestor direto? Quanta confusão!

O problema está na origem (como sempre) do problema. Muitas organizações possuem um processo de gestão totalmente desorganizado, causando, assim, uma intranquilidade no ato da execução dos processos. Observe a ilustração abaixo:

O diretor de uma área solicita, ao RH, uma vaga para uma determinada função. No entanto não vê a necessidade de comunicar sua ação ao gestor direto daquela área, pois, ao analisar os resultados, entendeu que havia uma defasagem de pessoal. Quando o RH encontra alguém com o perfil semelhante ao solicitado, convoca o diretor solicitante para que conheça o candidato pré-aprovado, mas (para variar!) nosso “gestor-mor” não tem espaço em sua agenda para realizar tal entrevista, então atribui ao RH toda a responsabilidade pela contratação, pois, em sua concepção, o RH é a área competente para isso.

O “inocente” candidato se transforma, então, no mais recente colaborador daquela organização, daí é encaminhado ao D.P. (Departamento de Pessoal) para a providência dos documentos necessários. Em cinco dias, aproximadamente, está tudo pronto no que se refere ao âmbito burocrático, pois até uniforme o novato já possui.

Chega a tão esperada segunda-feira (quase todos iniciam na segunda). Ao chegar ao setor indicado, o novo colaborador causa uma surpresa a seu novo chefe: seu gestor direto não sabia que acabara de ganhar mais um subordinado! Por vezes, o novato é recebido com hostilidade. Como se tivesse alguma culpa!

Isso ocorre com frequência na maioria das empresas. Infelizmente, os processos costumam ser falhos e sem controle. Toda admissão deve ser compartilhada, principalmente com quem irá gerir diretamente o colaborador que chega.

Para que se possa cobrar, dos líderes, o desenvolvimento de sua equipe, devemos garantir que eles participem de todo o processo. A área dos recursos humanos cumprirá seu papel de apoiadora e fará a triagem inicial, mas não deve impor uma contratação contra a vontade do gestor da área.

Em caso de desligamento, deverá haver consenso entre a gestão direta e o RH, portanto quem deverá comunicar, ao ex-colaborador, o seu desligamento é a pessoa que possui todos os argumentos que justifiquem tal interrupção das atividades: o gestor direto. Penso que a área de recursos humanos poderá estar presente, oferecendo apoio psicológico e burocrático ao processo. Lembrando que demitimos apenas um profissional que não atendeu às necessidades daquela empresa, jamais o ser humano que há nele.

Prof. Edison Andrades é sócio da Reciclare Consultoria & Treinamento. Site: www.reciclareconsultoria.com.br 

E-mail: edison@reciclareconsultoria.com.br

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