Criativo, mas nem tanto

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 23/01/2015, às 09h39

“Criatividade é ter uma ideia. Inovação é ganhar dinheiro com ela.” (W. Ludwig). Seguindo tal preceito, conseguimos entender que o ser humano necessita de ideias. Na verdade, é a capacidade de concebê-las que nos diferencia dos animais irracionais.

Percebo organizações pregando sobre o valor que há dentro das pessoas, esse é o discurso. Mas, na prática, valorizam pré-requisitos focados no que há por fora das pessoas, ou seja, buscam-se apenas as habilidades (mão de obra). Ouvi, recentemente, algo como: “Estamos vivendo um apagão da mão de obra qualificada”.

Entendo como “mão de obra qualificada” um par de braços extremamente treinado para executar uma tarefa específica. Ao refletir sobre o real sentido do termo “tarefa”, deparo-me com seu derivado, o termo “tarefeiro”, palavra usada para se referir àquele que realiza uma tarefa! Aprendi que os tarefeiros são aqueles que são pagos para “fazer”. Não, necessariamente, precisam pensar enquanto executam. Existem tarefas que são tão mecânicas, que até esquecemos o ser humano que há por trás delas.

Até aqui, fizemos trocadilhos com palavras e conceitos. Esses se fazem necessários para que possamos compreender o quanto a prática se distancia do discurso no interior das corporações. Discursa-se sobre a importância e carência de pessoas com ideias inovadoras e, sobretudo, prontas à entrega total no mundo corporativo. Em contrapartida, oferecem-se “vagas limitantes”, que possuem um ciclo de vida muito bem definido, restringindo o profissional a sua tão específica tarefa.

Será que as empresas e suas lideranças estão, de fato, preparadas para esse novo perfil de trabalhador, mais engajado e criativo? Não. Para tanto precisamos de uma reforma na gestão do conhecimento.

De um lado, temos empresas desejando se tornar competitivas e inovadoras. Ao ouvirem bordões sobre o desenvolvimento a partir do capital intelectual, discursam a favor, sem mesmo entender as implicações práticas desse novo modelo. De outro, trabalhadores, voltando para a escola e buscando aprimorar o intelecto. Estimulando sinapses (regiões de encontro entre os neurônios pelas quais transitam os impulsos nervosos) através das quais poderão melhorar seu modelo mental e conceber novas ideias.

Quando esses dois mundos encontram-se, percebem que não estão preparados para tal revolução. A empresa não suportará uma tempestade de ideias tão exponencial. O trabalhador “puxa seu freio de mão” a fim de controlar-se, já que está, por vezes, mais acelerado que a engrenagem já existente na empresa. Ambas as partes frustram-se e, concomitantemente, voltam para o cardápio de sempre. Essa é a tendência na maioria das relações de trabalho, mas ela não precisa se confirmar na sua.

Caro empresário, o valor das ideias é imensurável e poderá mudar o rumo de seus negócios. Não impeça a proliferação delas, apenas as organize e as selecione na dosagem certa para cada etapa de desenvolvimento de sua empresa. Recompense e estimule sempre!

Trabalhador, seja criativo, mas na dose certa. Inove com suas ideias, transformando-as em resultados concretos e rentáveis. O mercado de trabalho agradece!

Desejo-lhes boas ideias e ótimos negócios.

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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