Vale quanto pesa

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 04/10/2013, às 09h19

Certo dia, fui a um salão de cabeleireiros para cortar meu cabelo, pois estava longe de casa e iria ministrar uma palestra naquela noite. Ao chegar, já encontrei uma porta fechada e nenhuma receptividade, já que a porta havia sido coberta com insulfilm escuro, não permitindo que avistasse o que havia lá dentro. Mesmo assim empurrei-a e entrei. Encontrava-me numa situação de urgência.

Ao me deparar com uma equipe de cabeleireiros, pensei que receberia algum tipo de cumprimento, algo como: “Boa tarde!” Mas o único som audível, naquele lugar, era uma novela da tarde (daquelas que valem a pena ver de novo, sabe?). Todos estavam compenetrados naquelas cenas que, realmente, eram muito mais importantes que eu, afinal, eu estava ali apenas para interromper o lazer dos outros. Uma espécie de sentimento de culpa tomou conta de mim. Ainda assim precisava resolver aquele meu “egoísta” problema: cortar o cabelo. Fiquei, por mais alguns minutos, com a esperança de que, no intervalo comercial, alguém pudesse me dar algum tipo de atenção.

Percebi que alguns notaram minha presença, mas cada um deles sabia que, ao primeiro contato comigo, seria escolhido e estaria fadado a perder um capítulo inédito da nobre novela. Não teve jeito, creio que, através de algum Código Morse, um deles foi condenado a me atender. Ufa, que dureza!

Todas as empresas vitoriosas, desde aquela do seu bairro até uma grande multinacional, somente o são porque adquiriram competências que as tornaram capazes de descobrir quais são os problemas de seu cliente e, consequentemente, fazerem de tudo para ajudá-lo.

Você já ofereceu um copo d’água a alguém sem que essa pessoa tenha pedido, apenas porque você reconheceu que ela sentia sede? Já comprou um presente para alguém que não estava aniversariando?

Somos capazes de inúmeras ideias “mirabolantes”, mas temos uma dificuldade incrível em transformar coisas simples e baratas em verdadeiras fortunas. Poucos o fazem. Não estou me referindo a inventores, pois essa classe é munida de outro tipo de sabedoria e com um foco principalmente naquilo que não existe. Tudo bem, eles merecem o topo! Mas e o simples trabalhador? Aquele que busca ganhar um prato de comida por dia. Será que pode agregar mais valor às coisas? A resposta é sim.

Quero começar por você: Quanto valor você agrega ao seu trabalho a cada dia? Se pararmos um “pouquinho”, vamos perceber, com facilidade, o que faria um cliente pagar mais por algo. Quero expor alguns exemplos:

As pessoas gostam de facilidade: um litro de soro fisiológico custa pouco, ok? Mas não é prático quando usado para limpar o canal olfativo de um bebê, então pagamos 200% a mais por mililitro quando compramos um frasco prático e pequeno.

As pessoas gostam do que é belo: quanto custa uma maçã na feira quando comparada com aquelas que são comercializadas dentro de uma embalagem infantil colorida?

As pessoas gostam de praticidade: quanto custa uma barra de queijo quando comparada ao mesmo queijo fatiado em cubos para churrasco e espetado num palito?

As pessoas gostam de customização (coisas personalizadas): quanto custa uma sandália de tiras numa prateleira quando comparada àquela que a dona decora ao seu gosto com pedrinhas e “conchinhas” ornamentais?

As pessoas gostam de ganhar tempo e de higiene: surgem, então, alimentos congelados ou legumes já lavados e pré-cozidos, quase três vezes mais caros. Uau! Por que não pensei nisso antes? Onde está o seu valor agregado?

Prof. Edison Andrades é sócio da Reciclare Treinamento. Facebook.com/professor.edison.andrades

Comentários

Mais Lidas