Preparado para durar 100 anos?

Não somos treinados para viver, mas sim para morrer, pois ouvimos todos os dias que a vida é finita e que precisamos aproveitá-la, extrair o que ela tem de melhor

Edison Andrades
Publicado em 05/12/2014, às 09h25

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de pessoas com mais de cem anos, no Brasil, dobrou de 20 anos para cá. Hoje, há em torno de trinta mil idosos centenários, contra pouco mais de treze mil em 1991.

As explicações são várias: alimentação balanceada, exercício físico, diminuição do tabagismo, alternativas de entretenimento específico para idosos etc. O fato é que esse número vem aumentando e pesquisas populares revelam que a nova geração tem uma grande tendência de chegar lá com muita facilidade.

Vejo jovens, nos dias de hoje, que não percebem que a natureza do homem é perfeita, ou seja, na juventude, temos disposição, vitalidade, saúde física e mental para plantarmos o futuro, a fim de, quando este chegar – e pelo jeito, segundo as pesquisas, será bem longevo – estarmos usufruindo e não necessitando de tanto esforço para sobreviver. Mas observo que parte dos integrantes dessas novas gerações faz justamente o contrário, pois querem usufruir agora. Falta planejamento!

Chutam as oportunidades, não se importam em criar raízes profissionais, tampouco em se aprimorarem. Resiliência e responsabilidade próximas a zero. Esquecem que, salvo fatalidades, tendem a durar muito. E a vida não mudará sua ordem natural: vai cobrar-lhes.

Não somos treinados para viver, mas sim para morrer, pois ouvimos todos os dias que a vida é finita e que precisamos aproveitá-la, extrair o que ela tem de melhor. Vídeos motivacionais e livros de autoajuda reforçam a ideia de que precisamos viver a cada dia como se fosse o último. Acho isso bonito e não posso discordar por completo, mas precisamos entender que é preciso se preparar para a longevidade. Se vivermos cada dia como se fosse o último, talvez nos esqueçamos de planejar o amanhã. E esse amanhã, de acordo com a tendência, não será breve. Como fica nosso celeiro até lá? Vazio?

Esse ímpeto de viver o presente é que leva, principalmente os mais jovens, a inverterem seu ciclo. A partir daí, repetirão a história de nossos pais: “viverão e morrerão trabalhando por sobrevivência”. Portanto não podemos esquecer que a juventude é sim uma fase de prazeres e experimentação, mas sobretudo precisamos vê-la como um momento de planejamento e previdência.  Nesse ponto, não seria inteligente repetir a história de nossos pais, até porque guardamos uma grande diferença em relação a eles: nossos pais não foram avisados!


Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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