Um peso. Várias medidas

Artigo do professor Edison Andrades.

Edison Andrades
Publicado em 20/02/2015, às 11h06

Num prédio de vinte andares, há um morador em cada andar. Todos estão debruçados nas janelas de seus respectivos andares. O morador do vigésimo andar decide soltar um saco contendo um quilo de uma substância qualquer. Esse saco percorre alguns andares, em queda livre, e atinge a cabeça do morador pertencente ao décimo oitavo andar. Causará, com certeza, um impacto muito forte, afinal, foram dois andares de queda livre, mas não trará grandes sequelas. No entanto esse morador atingido decide soltar o mesmo saco, pesando um quilo, com o objetivo de atingir, com precisão, a cabeça do morador que se encontra na janela do terceiro andar. Quinze andares de queda livre! Sem qualquer cálculo de física, devo informar que o maior tempo de queda elevará muito o potencial destrutivo desse objeto, como se elevasse seu próprio peso e, este, quando atingir o referido morador, provavelmente, causará um violento e fatal impacto. Assim ocorre nas empresas.

Desvendando a metáfora, podemos dizer que o saco de um quilo significa a cobrança por resultados. O morador do vigésimo andar representa a cúpula da empresa. O morador do décimo oitavo, por sua vez, personaliza um líder com cargo hierárquico bastante elevado e o colaborador de base está representado pelo morador do terceiro andar.

Um líder despreparado para o cargo agirá exatamente conforme descrito em nossa ilustração acima, ou seja, repassará a cobrança, na íntegra, para os que estão mais abaixo. Não é percebido, na maioria dos casos, que aquela mensagem aparentemente leve (“apenas um quilo”) irá transformar-se (“em toneladas”) ao atingir cargos hierarquicamente menores. Pessoas de base possuem, naturalmente, menos estrutura para determinadas pressões.

O grande problema é que a falta de estrutura psicológica de alguns líderes os leva a repassar as insatisfações, advindas de superiores, com a mesma intensidade e “peso”, para as camadas que se encontram em níveis mais baixos. Falta, ao líder, habilidade para filtrar as informações e cuidado para que a pressão gerada em cada caso seja compatível com o nível hierárquico que a receberá. Por isso encontramos equipes inteiras desmotivadas, insatisfeitas, improdutivas, humilhadas, assediadas moralmente, o que, consequentemente, causará impactos negativos nos resultados de uma organização. É um efeito cascata!

A liderança de uma empresa é fator decisório para seu sucesso. Enxergo o líder como se fosse o recheio de um sanduíche. De um lado, a pressão dos stakeholders (membros envolvidos diretamente no negócio). De outro, a pressão da equipe que, mesmo estando num nível hierárquico inferior, representa uma grande força, principalmente quando está unida. A ideia mais relevante a extrair da imagem do sanduíche está em seu recheio, ou seja, uma empresa composta por um bom corpo de líderes adquire identidade própria, afinal a personalidade de um sanduíche de queijo está no queijo! A identidade reforça a marca, que é a chave para a decisão do cliente na hora da compra. O cliente é a razão pela qual uma empresa existe! “Toneladas” de problemas nas áreas de atendimento, vendas e relacionamento com os clientes, por vezes, iniciaram-se com apenas “um quilo” de incompetência na gestão de pessoas.

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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