Currículo deve destacar formação acadêmica

* por Luiz Felipe Calazans

Redação
Publicado em 11/05/2007, às 15h18

* por Luiz Felipe Calazans


Curriculum Vitae, do latim - literalmente significa "carreira da vida", que em português adaptou-se para a forma simplificada de "currículo" - nada mais é que um retrato fiel ou retocado da vida de uma pessoa, sob o ponto de vista profissional ou acadêmico.

Ele deve conter três tipos de informações básicas: pessoais, educacionais e profissionais.

Sempre que sou solicitado a orientar profissionais na elaboração de um currículo, respondo: "deve ser curto e grosso", ou seja, deve ser compacto na sua apresentação, no máximo duas folhas, ter conteúdo e densidade. Lembre-se que o currículo é uma peça mercadológica que vai vender um produto, o seu produto, VOCÊ.

Forneça informações sucintas, resultados alcançados, habilidades técnicas e gerenciais, experiência adquirida, além dos dados pessoais e da sua formação acadêmica. As pessoas que lêem esse material não apreciam textos longos. Ele deve ser objetivo, informativo e preciso quanto ao seu conteúdo, essa é a regra geral. O currículo deve provocar no seu leitor a chamada "dúvida positiva", aquele "não-sei-quê" que o obriga a chamar o candidato para conhecê-lo melhor.

Contudo, existem situações específicas e especiais, como é o caso dos currículos preparados pelas consultorias de alto padrão de qualidade. Eles devem conter um volume de informações mais denso e completo, sempre acompanhado de um parecer do consultor responsável.

Não existem informações precisas sobre o volume de projetos processados pelo conjunto das consultorias no mercado brasileiro. Estima-se, grosso modo, algo em torno de 15% a 20% do total da demanda por executivos, no mercado. Sem dúvida os casos mais importantes e/ou confidenciais. Nesta classe de especificidade, também se incluem os currículos acadêmicos.

Esta introdução é necessária para que o leitor tenha a exata idéia do que significa e a importância relativa que um CV pode ter num processo seletivo. Ele nada mais é que o canal de ligação entre a figura da pessoa e do profissional que ele encarna em sua relação com o mercado. Portanto as empresas não procuram um currículo, mas sim um profissional com suas características pessoais, de personalidade e de caráter, suas competências e experiências e sua formação acadêmica.

Num mercado altamente competitivo, numa economia globalizada, cada vez mais aumentam as exigências por parte das empresas, sejam elas nacionais ou multinacionais. Para que possam competir em grau de igualdade, necessitam de equipes de gestão altamente competentes, com forte experiência no mercado interno e externo, fluência em mais idiomas e formação acadêmica que contemple curso de MBA em escolas conceituadas. No Brasil existem algumas escolas de qualidade. As melhores, sem dúvida, concentram-se nos EUA e Europa.

Nos dias de hoje e cada vez mais, essas duas palavras - formação e experiência - caminham juntas, de sorte que quem possuir só experiência e formação acadêmica formal entra em desvantagem numa disputa por emprego, mesmo que seja para uma organização/empresa de atuação nacional ou local. É óbvio que isso não se aplica a todos os processos de recrutamento e seleção de executivos, no mercado de trabalho.

Quanto maior o nível de conhecimento conceitual, o domínio das mais modernas práticas de gestão de negócios, melhores, sem dúvida, serão os resultados. O que move uma empresa privada, uma organização sem fins lucrativos, um órgão ou uma estatal são os bons resultados, sejam eles pecuniários, ou pela qualidade dos serviços ofertados. E para que isto aconteça, não basta só possuir talento, mas sobretudo, experiência acumulada e formação acadêmica primorosa e atualizada.

Dentre as escolas brasileiras de Pós Graduação, em nível de MBA, que melhor preparam profissionais, num mercado cada vez mais competitivo e disputado, destacamos a FIA, FEA (USP-SP), FGV (SP), COPEAD (RJ), Fundação Dom Cabral (MG), IBMEC (SP), PUC (RJ) e a Business School São Paulo. Algumas delas possuem credenciamento de escolas do exterior. São consideradas "latu senso".

É uma complementação acadêmica cara (existe financiamento) que exige de seu participante muita disciplina, dedicação, empenho e desprendimento.

Dentre as internacionais mais renomadas, sobressaem Harvard (EUA), Cambridge (GB), Oxford (GB), IMT (EUA), Yale (EUA), Stamford (EUA), Berkeley (EUA), Princeton (EUA) INSEAD (FR) entre outras tantas, que primam pela alta qualidade do ensino que oferecem. No começo de outubro de 2006, um ranking mundial dos cem melhores MBA elaborado pelo centro de pesquisas Economist Intelligence Unit, da Grã-Bretanha, colocou em primeiro lugar o curso ministrado pelo Instituto IESE, da Universidade de Navarra, na Espanha.

Todas elas são pagas e dependendo do enfoque do curso que se pretenda fazer, o preço pode variar entre as melhores, no Brasil, de U$ 13 mil a U$ 25 mil. A grande maioria efetua um teste de admissão e sua duração média fica entre 500 a 650 horas, o que corresponde a dois ou quatro semestres.

Os cursos de MBA norte-americanos são os mais procurados pelos profissionais brasileiros. Exigem além da entrevista e documentação escolar pregressa, teste de inglês - o TOEFL - e um exame de conhecimentos denominado GMAT. Sua duração varia de três a quatro semestres e seu custo oscila de U$ 4 mil a mais de U$ 20 mil/ ano, dependendo do curso e Universidade escolhida, fora acomodação e alimentação.

Sem dúvida, a qualidade e os resultados do aprendizado pesam na escolha de um MBA. Uma escolha mal feita ou mal sucedida, além do dinheiro jogado fora, prejudica o currículo do profissional e conta ponto negativo num processo seletivo. 


* Luiz Felipe de S.Calazans, Consultor Sênior e Sócio-Diretor da TRANSEARCH Brasil, é um dos raros profissionais que construiu sua carreira , na atividade de Executive Search. Com 40 anos de experiência no setor, especializou-se na busca e seleção de executivos para ocuparem funções diretivas nas áreas de Recursos Humanos, Jurídica, Finanças e Controladoria, dentre outras.

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