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Colapso de mina da Braskem em Maceió pode causar 'maior tragédia urbana do mundo', diz prefeito

Cerca de 350 profissionais de órgãos públicos estão envolvidos nas ações de monitoramento. Prefeito destacou que o plano de contingência abrange diversas hipóteses de colapso

Exploração mineradora em Maceió iniciou na década de 1970
Exploração mineradora em Maceió iniciou na década de 1970 - Foto: Thaís Magalhães
Pedro Miranda

Pedro Miranda

redacao@jcconcursos.com.br

Publicado em 01/12/2023, às 17h41

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O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, expressou preocupação com a iminência do colapso de uma mina da Braskem na capital alagoana, classificando o evento como "a maior tragédia urbana no mundo, em curso". Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (1º), o prefeito evitou fornecer horários específicos para a ocorrência, visando reduzir a ansiedade da população.

Segundo o prefeito, equipamentos modernos estão sendo empregados para calcular o afundamento do solo, direção e intensidade desse movimento. Cerca de 350 profissionais de órgãos públicos estão envolvidos nas ações de monitoramento. O afundamento, registrado em 5 centímetros por hora na manhã de hoje, afeta principalmente o bairro do Mutange.

O foco principal da Prefeitura tem sido a preservação de vidas, com a realocação de 60 mil pessoas de cinco bairros afetados e a evacuação completa da área de risco. O prefeito destacou que o plano de contingência abrange diversas hipóteses de colapso, e todos os protocolos estão sendo rigorosamente seguidos pela Defesa Civil de Maceió.

Braskem informou que estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis para mitigar o impacto

O caso remonta a março de 2018, quando o primeiro abalo sísmico foi registrado na região, chamando a atenção das autoridades. Em 2019, a Prefeitura de Maceió decretou emergência devido ao risco iminente de colapso de uma mina da Braskem na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange.

A Braskem informou que estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis para mitigar o impacto, compartilhando dados de monitoramento em tempo real com as autoridades competentes. As minas de Maceió, abertas pela extração de sal-gema, têm sido alvo de atenção desde 2019, quando o afundamento do solo resultou na interdição de bairros inteiros da capital alagoana.

O Ministério Público Federal em Alagoas acompanha o caso desde 2018 e, em julho deste ano, a prefeitura fechou um acordo com a Braskem assegurando uma indenização de R$ 1,7 bilhão devido ao afundamento dos bairros afetados desde 2018.

Entenda a situação em Maceió 

A exploração mineradora em Maceió iniciou na década de 1970, com a Salgema Indústrias Químicas S/A, posteriormente denominada Braskem, obtendo autorização governamental para a extração de sal-gema, um mineral essencial na produção de soda cáustica e PVC.

Em fevereiro de 2018, sinais alarmantes surgiram no bairro do Pinheiro, incluindo uma extensa rachadura com 280 metros de comprimento. O mês seguinte testemunhou um tremor de magnitude 2,5, exacerbando as rachaduras e gerando crateras no solo, resultando em danos irreparáveis às propriedades.

Apenas um ano depois, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vinculado ao governo federal, confirmou que a atividade mineradora foi responsável pela instabilidade do solo. Em junho de 2019, ordens de evacuação foram emitidas para os residentes do Pinheiro, Mutange e Bebedouro. À medida que a situação se agravava, a evacuação foi estendida para partes do Bom Parto e do Farol.

Desde então, mais de 14 mil propriedades foram desocupadas na região, impactando aproximadamente 55 mil pessoas e transformando o que antes eram bairros movimentados em áreas quase desertas.

Diante das conclusões sobre a mineração como a principal causa da instabilidade do solo, a Braskem iniciou um intenso esforço para fechar e estabilizar 35 minas na região do Mutange e Bebedouro, com profundidade média de 886 metros. No entanto, após cinco tremores de terra apenas no mês de novembro, a Defesa Civil de Maceió alertou para o "risco de colapso em uma das minas", especificamente a de número 18, próxima à lagoa Mundaú, o que poderia resultar em uma enorme cratera.

O professor da UFAL Abel Galindo, engenheiro civil com mestrado em geotecnia pela UFPB, destaca a possibilidade de o desabamento da mina 18 afetar também duas minas adjacentes, formando uma cratera com dimensões comparáveis ao estádio do Maracanã.

O colapso potencial da mina 18 poderia levar à entrada de água da lagoa, terra e detritos, formando um lago com profundidade entre 8 a 10 metros. A Defesa Civil alerta que esse evento transformaria a água da lagoa em salgada, resultando em impactos significativos em toda a área de mangue na região.

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