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Gabriel Granjeiro: "Silencie a negatividade"

No artigo dessa semana, o colunista Gabriel Granjeiro explica as consequências da negatividade e oferece dicas para evitar este tipo de pensamento

PUBLIEDITORIAL
Publicado em 23/12/2021, às 13h31

Gabriel Granjeiro: "Silencie a negatividade"
Gabriel Granjeiro: "Silencie a negatividade" - Divulgação Gran Cursos Online
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“A vida inflige os mesmos contratempos e tragédias nos otimistas e nos pessimistas, mas os primeiros resistem melhor.” – Martin Seligman, psicólogo estadunidense

Eis algo que nunca vi: um pessimista bem-sucedido. Você já? Se sim, por gentileza me apresente essa pessoa, pois em mais de 29 anos eu nunca conheci alguém que, mesmo tomado de negatividade, tenha alcançado sucesso em qualquer campo que seja. 

E por que é assim com os pessimistas? Porque a negatividade contamina seus pensamentos e atrapalha a conexão entre intenção e gesto, dando origem a um ciclo de autodestruição.

A boa notícia é que basta um sorriso ou uma mensagem positiva para a pessoa voltar a si e se lembrar de que tem o controle da própria mente. Não é preciso muito para ela compreender que a qualquer tempo pode apertar o botão “reset” para recomeçar do zero e, nessa nova oportunidade, ser mais sábia na seleção dos pensamentos. Em outras palavras, é possível silenciar a negatividade

Tudo bem, é praticamente impossível passar a vida sem enfrentar uma ou outra adversidade. Eventos ruins acontecem mesmo, e com todos nós. Entretanto, lidar com eles pautado no pessimismo não ajuda nada. Ao contrário, apenas reforça a dor e a dificuldade de pensar em soluções.

A fixação no sofrimento é absolutamente contraprodutiva, afinal o sentido da vida não é nem gargalhar nem chorar o tempo todo. Não conheço muitas canções, mas há uma que me marcou pela síntese profunda da verdade que faz em tão poucas palavras. É a de Gonzaguinha que diz: “Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita”

O filósofo Tarcísio Padilha (1928-2021) ensinava que “o pessimismo cessa tão logo começamos a agir, a pensar, a amar e a esperar” – esperar no sentido de esperançar, de nutrir esperança ativa. Em outras palavras, o pessimismo do tipo crônico – se não for fruto de depressão, que é uma doença e como tal deve ser tratada – funciona como pretexto para a inação. É a semente da autossabotagem, tema que, aliás, foi abordado por mim AQUI

Ora, caro amigo, querida amiga, se a dor é inevitável, ao menos o sofrimento pode ser diminuído se adotarmos uma postura de esperança – esperar com ação e determinação, silenciando-se a negatividade. Enquanto você não silenciar aquelas ideias deformadas que vagam dentro de sua cabeça, elas continuarão controlando sua vida, seus relacionamentos, seu destino.

O resultado vai de desesperança e ansiedade a dependência e desespero. É ladeira abaixo, entende? Depois de afetarem sua vida afetiva, essas emoções nocivas minarão sua capacidade de concretizar objetivos e sonhos. 

Percebe a importância de retomar o controle do que se passa em sua mente? O que acontece dentro da cabeça sempre encontra caminho para fora dela, isto é, para a sua vida em concreto. É por isso que nosso destino está tão intimamente relacionado aos nossos pensamentos. Ora, se nossas escolhas começam na mente e esta não está bem, todo o resto adoecerá junto. O contrário é igualmente verdadeiro: ao conseguirmos aliar pensamento produtivo e ação efetiva, o sucesso na busca dos nossos sonhos será apenas uma questão de tempo.

Como anotou o empreendedor Napoleon Hill (1883-1970), “uma pessoa é presa pela pobreza ou abençoada com a abundância devido às suas aspirações, planos e desejos, ou à falta deles”.

Depois de ter estudado mais a fundo a psicologia positiva e a neurociência, hoje me sinto seguro para afirmar que não concordo, por exemplo, com a escritora australiana Rhonda Byrne quando ela fala da possibilidade de atrairmos apenas com o poder dos pensamentos tudo que almejamos, naquilo que se conhece como “Lei da Atração”.

Embora eu discorde dessa visão, que me parece muito radical ao praticamente nos igualar a Deus, aprecio outra, menos exagerada, segundo a qual os nossos pensamentos têm lá sua influência nos bons resultados alcançados nas esferas pessoal, social e profissional.

Nesse sentido, penso que o nosso melhor reside naquilo que controlamos: nossos pensamentos, nossas escolhas, nossas ações. É assim porque quem está no controle dos próprios pensamentos também está apto a controlar, em alguma medida, a forma como se sente, canalizando sua energia para a produtividade e a virtude, por exemplo, em vez de para a inércia e a insatisfação.

“Certo, e como fazer isso?”, você pode perguntar. Não existe fórmula pronta cem por cento eficaz, mas sugiro um pequeno truque: atenção aos gatilhos que movem na direção da negatividade. Se você perceber que está sendo seduzido por um, neutralize-o com a força de alguém que agora escolheu conscientemente a via da positividade. 

Permita-me elaborar. O pesquisador Martin Seligman, após anos de observação, concluiu que há três maneiras – intrinsecamente negativas – por meio das quais as pessoas interpretam e explicam tudo que acontece com elas.

A primeira corresponde às EXPLICAÇÕES PESSOAIS. Parte-se da premissa de que, se algo de ruim acontece, é por haver algo de “errado” com o indivíduo. Daí para surgirem pensamentos do tipo “eu sou um idiota”, “eu sou um perdedor mesmo” etc. é um pulo. Não preciso nem me estender sobre o perigo dessa forma de agir, certo? 

A segunda é a EXPLICAÇÃO INVASIVA: a dificuldade é interpretada como se impactasse tudo o mais. Sabe quando pensamos que nada que fazemos dá certo e que sempre estragamos tudo? Essa sensação trilha o fracasso futuro e é porta de entrada para a infelicidade. Por isso, cuidado com generalizações vazias e sem lógica evidente. 

A terceira e última é a INTERPRETAÇÃO: encara-se um incidente como se ele traduzisse uma característica permanente da vida da pessoa. “Isso que aconteceu vai sempre acontecer.” “Ninguém jamais vai se aproximar de mim.” Esse tipo de negatividade precisa ser silenciada o quanto antes, sob pena de tornar definitiva a sensação de que os “momentos ruins” vão durar “para sempre”. 

A decisão é toda sua: você pode ficar no controle e submeter seus pensamentos à sua vontade, ou pode permitir que eles o amarrem com nós apertados e o conduzam para todo tipo de caminho equivocado. Você – e apenas você – decide. Procure, então, fazê-lo com otimismo, com esperança, silenciando a negatividade

O fim de um ano é uma excelente hora para fazer isso. Vamos começar?

“As pessoas com bom estado de ânimo são melhores no raciocínio indutivo e na solução criativa de problemas.” – Peter Salovey, presidente da Universidade Yale e psicólogo estadunidense 

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