Cargos para nível superior em qualquer área

Vários concursos com inscrições abertas exigem nível superior em qualquer área de formação

Redação
Publicado em 06/02/2009, às 15h08

Quem está atento ao mundo dos concursos públicos já deve ter percebido que, vez ou outra, surge um processo que exige formação superior em qualquer área de conhecimento. Neste tipo de seleção, o interessado pode ser graduado em Odontologia, História, Administração ou qualquer outro curso, não importa.

Atualmente, há vários processos com inscrições abertas que exigem dos candidatos graduação superior, independente da área de formação. É o caso do recém-lançado concurso do Instituto Rio Branco (IRBr), ligado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), que abriu 105 oportunidades para diplomata, função com vencimento de R$ 10.906.

Em São Paulo, dois bons exemplos são as seleções da São Paulo Previdência (SPPREV) e das Secretarias de Estado da Fazenda e de Economia e Planejamento. As duas secretarias têm 600 vagas abertas e, a SPPREV, outras 75. Nos três órgãos, o cargo é o de analista e o salário inicial é de R$ 3.800.

No setor de segurança pública, o Distrito Federal tem dois concursos em andamento cujo requisito também é a graduação superior em qualquer área. A Polícia Militar oferece 750 vagas para seu curso de formação de soldado. Durante o curso, o salário é de R$ 3.072,51 e, após a conclusão do treinamento, a remuneração aumenta para R$ 4.056,59. Já a Polícia Civil abriu 320 oportunidades – 129 efetivas e 191 para cadastro reserva (CR) – para o cargo de agente, com vencimento de R$ 7.317,18.

Não à toa esses processos vêm fazendo sucesso, como afirma o diretor-presidente do Obcursos, professor J. Wilson Granjeiro. “Vejo muitos psicólogos serem aprovados em concursos para auditor da Receita Federal, uma função teoricamente voltada a profissionais da área contábil”, exemplifica.

A hora certa

Mas, até que ponto vale a pena deixar de lado a profissão escolhida para desempenhar uma função diferente em um órgão público? De acordo com Arlindo Felipe Júnior, diretor do Grupo Soma – especializado em soluções para Recursos Humanos e Gestão de Pessoas e Processos –, mudar de carreira pode ser interessante se, com o novo emprego, a pessoa obtiver uma ascensão profissional ou financeira.   

Quanto ao momento certo para trocar, o diretor é cauteloso. “Isso é algo muito específico. Cada pessoa tem o seu momento. Uma boa hora para mudar é quando o profissional deseja produzir mais e está limitado no emprego atual”, afirma.

No caso específico dos concursos, altos salários e muitas vagas oferecidas podem convencer um candidato a prestar uma prova que não exige formação específica. Entretanto, tanto para Granjeiro quanto para Júnior, esses dois fatores não devem ser preponderantes na escolha de um concurso. Segundo Granjeiro, é fundamental ter um pouco de afinidade com a carreira para garantir o sucesso profissional.

“Optar por uma carreira só pelo dinheiro não é duradouro. Em qualquer função, é preciso se realizar profissionalmente”, completa Júnior.

Experiência que deu certo

Alessandra Santos Duarte é um exemplo de que é possível mudar completamente de carreira e ter satisfação no novo trabalho. Graduada em Letras em 1998, ela chegou a trabalhar na área por um pequeno período, mas, ainda na faculdade, começou a prestar concursos.

Alessandra passou no exame do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT/SP) e começou a trabalhar em 1999 como técnica judiciária (nível médio completo). Pouco depois, surgiu a oportunidade de fazer a prova para o cargo de analista judiciário no setor administrativo do próprio Tribunal, cargo cujo requisito é possuir graduação superior em qualquer área. Ela decidiu prestar o concurso, foi aprovada e, hoje, atua na Secretaria da 4ª turma do TRT/SP. “Estou satisfeita com o meu trabalho e gosto das minhas atribuições  aqui dentro”, afirma Alessandra.

Talita Fusco/SP

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