Como evitar o branco na hora da prova? Aprenda técnicas para exercitar a memória

Esqueceu tudo na hora H? Saiba como evitar este pesadelo do branco na hora da prova de concursos públicos, OAB ou vestibulares

Lygia Roncel
Publicado em 07/07/2019, às 08h49 - Atualizado às 08h56

Branco na Hora da prova de concursos, vestibulares ou exame da OAB. Como evitar?
Stock Photos Por Veles Studio / Shutterstock

Todo estudante que se preze provavelmente sofre ou já sofreu com o pesadelo de esquecer tudo o que estudou na hora H, quando estiver frente a frente com o exame que o avaliará para o ingresso em algo muito importante, seja uma faculdade, um estágio, um exame da OAB ou mesmo um concurso público.

O temor de que todas as informações se apaguem justamente quando se mais precisa delas surge geralmente às vésperas de todo processo seletivo, e é ainda mais presente durante aquelas horas em que nos debruçamos sobre as folhas da prova. E são exatamente a preocupação e o nervosismo os responsáveis por esse “branco”, segundo Alberto Dell’Isola, conhecido como o “homem-memória”.

Dell’Isola é mineiro e estudante de Psicologia. De um desmemoriado que esquecia até mesmo o lugar em que estacionou o carro, tornou-se campeão sul-americano de memória. Segundo ele, o “branco” existe como uma defesa do organismo, acostumado a “apagar” o que reconhece como ruim, como frustrações, traumas e fracassos. “Sempre que o estudante passa por uma situação de estresse (uma prova de matemática, por exemplo), o seu cérebro pode entender que a matemática é um fator estressante. Assim, ele tem um ‘branco’ e se esquece de tudo a que a matemática se refere”, conta ele.

Exercite a sua memória através de técnicas de especialistas

Bom, mas então como fazer para não deixar que tais informações escapem? Simples, com o treinamento da memória. “O uso da memória é colocado à prova em um teste tão grande como o vestibular, uma avaliação muitas vezes inglória de todo o processo educacional”, comenta a especialista em memória Ana Alvarez, autora de livros como “Deu branco” e “Exercite sua memória”, entre outros. Sendo assim, existem alguns mecanismos capazes de deixá-la cada vez mais imune aos temidos apagões.

Treinamento da memória

“O treinamento da memória consiste em criar códigos eficientes. Faça resumos coloridos, evoque em voz alta o assunto a ser discutido, crie associações mnemônicas como acrônimos (espécies de siglas), paródias etc. O importante é utilizar o máximo de sentidos possível”, aconselha o “homem-memória”. “O ideal é tentar criar alguma associação, ainda que esdrúxula. Para memorizar uma fórmula de física como D=VT [distância é igual a velocidade vezes tempo], você pode lembrar da frase Deus Vê Tudo. Se quiser lembrar da localização do osso rádio, o mais curto dos ossos do antebraço, você pode imaginar que existe um rádio amarrado em seu antebraço”, diz ele.

Outra dica de Dell’Isola é a utilização de flashcards, pedaços de papéis (geralmente cartolina) em que se deve escrever alguma pequena informação, como leis, fórmulas ou até mesmo tabuada: “Recomendo que o tamanho seja compatível com o tamanho da sua carteira ou bolso da calça, para que sejam guardados ali e possam ser verificados durante todo o dia, nos tempos livres (ônibus, dentista ou até mesmo no trabalho, caso você não seja piloto de avião, claro)”, brinca ele.

Ana Alvarez cita também as associações como excelentes auxiliares no estudo. “Se o nome do autor é Alcino Borges, por exemplo, você pode se lembrar de um sino. Em outros casos, pode fazer associações com nomes de pessoas da família”. Criar uma cena mental também é um método de muita eficácia. “Para se lembrar da grafia de uma palavra difícil, por exemplo, você deve imaginá-la mentalmente num lugar de que gosta, como o seu quarto, pintada na cor de que você mais gosta”, sugere ela.

A música também é citada como um método de introdução de informações, mas que não é eficaz para resgatar o que está armazenado. “Pessoas com facilidade para melodia vão guardar só ela, e não o conteúdo. Portanto, cria-se uma armadilha e corre-se um risco. O vestibular é um resgate da memória, e nele não se poderá cantar em voz alta”, alerta a autora.

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