O “passa ou repassa” no ato da demissão

Sem dúvida nenhuma o ato de demitir um profissional é uma das piores tarefas de um líder

Redação
Publicado em 01/06/2009, às 09h59

* Profº. Edison Andrades


Sem dúvida nenhuma o ato de demitir um profissional é uma das piores tarefas de um líder. Mas sempre vem aquela pergunta: Quem deve realizar? A dúvida paira sobre quem é o mais indicado para conversar com o futuro ex-funcionário, então inicia-se  o “passa ou repassa”.


Uns acham que isso é papel do RH (recursos humanos), já que foi por lá que o funcionário entrou; outros entendem que deverá ser o gestor superior da área, afinal ele é o responsável geral pelo bom andamento de seu setor e se aquele colaborador deixou de colaborar então caberá ao “chefão” informá-lo disso. Mas de onde partiu a decisão, senão de quem trabalha diretamente com este? Daí, partimos para outra opinião: Então quem deve demitir é o gestor direto. NOSSA, QUE CONFUSÃO!!!


Caros amigos, o problema está na origem (como sempre). Muitas organizações possuem um processo de gestão totalmente desorganizado, causando assim uma intranquilidade no ato da execução dos processos. Leia abaixo uma pequena ilustração e em seguida faremos a análise, ok?


“O diretor de uma área solicita ao RH uma vaga para uma determinada função. No entanto não vê a necessidade em comunicar o gestor direto daquela área, pois ao analisar os resultados, entendeu que havia uma defasagem de pessoal.  Quando o RH encontra alguém com o perfil semelhante ao solicitado, convoca o diretor solicitante para que conheça o candidato pré-aprovado, mas (para variar!) nosso “gestor-mor”, não tem agenda para tal entrevista e atribui ao RH toda a responsabilidade na contratação, pois, em sua concepção, o RH é a área competente para isso.


O “inocente” candidato se transforma então no mais recente colaborador daquela organização, daí é encaminhado ao D.P. (Departamento Pessoal) para a providência dos documentos necessários. Em cinco dias, aproximadamente, tudo pronto no que se refere ao âmbito burocrático, pois até uniforme o novato já possui.


Chega a tão esperada segunda-feira (quando quase todo novo colaborador inicia). Ao chegar no setor indicado qual a surpresa??? O gestor direto não tinha conhecimento sobre a nova contratação, (por um pequeno lapso, o diretor solicitante esqueceu de comunicá-lo)”.
Se esta história se assemelha com algum caso real, que você conhece, é MERA COINCIDÊNCIA!!!   


Saibam que não criei  uma “historinha” fictícia, mas isso ocorre com frequência em empresas afora, pois os processos costumam ser falhos e sem controle.


Se o colaborador de nossa ilustração for demitido, será instaurada a confusão, pois o diretor nem o conhece para então aplicar um feedback conclusivo que justifique sua saída; o RH não possui ferramentas para isso, aliás, este RH citado acima é apenas uma área de recrutamento e seleção (somente). Neste momento sobra para o gestor direto, é claro!! PARA! Está tudo errado.


Toda admissão deve ser compartilhada, principalmente com quem irá trabalhar diretamente (gestor direto), afinal este será o responsável pelo desenvolvimento de seus subordinados desde o ingresso destes. Obviamente que devemos ter uma área de apoio (RH), além do acompanhamento do gestor superior, que deve ter sob seu controle todo andamento do setor.


Quem deve efetuar efetivamente o comunicado?
Somente poderá efetuar o desligamento de um colaborador aquele que possui ingredientes suficientes e coerentes que justifiquem a decisão da demissão e normalmente este é o gestor direto, desde que tenha participado do processo completo, ou que pelo menos tenha tempo suficiente no cargo, a ponto de se sentir seguro para tal aplicar tal evento, ainda que a área de RH apóie e acompanhe o processo.


Vejo que este assunto requer um pouco mais de atenção, portanto em nossa próxima coluna falarei sobre o passo a passo ideal para uma demissão eficaz. Nunca demita um ser humano. O máximo que podemos fazer é demitir um profissional!


Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

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Grande abraço.

* Profº Edison Andrades é Psicólogo - Especialista em desenvolvimento profissional e aconselhamento de carreira (Counseling); MBA; Escritor (autor do livro: Como Perder o Emprego (com competência)- Giz editorial); ex-Diretor de RH. É professor universitário atuando nas áreas de Administração e Marketing. Como consultor e palestrante atua em algumas das principais empresas nacionais e multinacionais do país. É palestrante e instrutor organizacional há mais de dez anos, onde destaca-se devido sua performance teatral, motivacional e irreverente ao transmitir conhecimentos. Marque uma consulta e conheça sua metodologia. contatos:  e-mail: edison.andrades@terra.com.br;  site: www.edisonandrades.com.br.

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