Auxílio emergencial: "Extensão pode contrair economia" afirma presidente do BC

Com o risco de crise fiscal, Campos Neto destaca que a extensão pode provocar uma diminuição da economia por afastar investimento estrangeiro

Redação
Publicado em 17/11/2020, às 08h49

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Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou que a extensão do auxílio emergencial, criado durante a pandemia de covid-19, pode resultar em uma contração da economia e na fuga de investimentos estrangeiros no Brasil. A frase foi realizada na última segunda-feira (16) durante a 3ª Conferência Anual da América Latina, organizada pela Chatham House e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

“Passamos de um ponto de inflexão. Estender mais os auxílios agora pode significar menos [efeitos positivos]. Foi o teto de gastos que nos permitiu gastar mais na pandemia. Assim que se começou a questionar o teto, o mercado reagiu imediatamente nos preços dos ativos”, disse Campos Neto.

Para o presidente do BC, o risco fiscal vindo das pressões para furar o teto federal de gastos não apenas está provocando instabilidade no mercado financeiro como está atrapalhando os investimentos privados. Ele classificou o problema como uma das principais preocupações atuais do órgão.

Na avaliação de Campos Neto, o país não tem escolha a não ser retomar a disciplina fiscal e reverter os déficits nas contas públicas em 2021. Segundo ele, a recomposição da renda das famílias, por meio do auxílio emergencial, gerou uma poupança na economia que deve começar a ser queimada no próximo ano.

“Não acho que tenhamos opção. O déficit fiscal tem de ser revertido a partir do próximo ano. Para atrair investimento privado, é preciso termos essa credibilidade. Só assim poderemos ter crescimento sustentável no longo prazo”, concluiu o presidente do BC. Ele acrescentou que o Brasil gastou bastante dinheiro para enfrentar a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, com gastos acima da média de outros países emergentes, e lembrou que o país encerrará o ano mais endividado que economias semelhantes.

*trechos com reprodução da Agência Brasil

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