Secretária de privatizações afirma que os Correios serão vendidos por um valor simbólico

De acordo com Marta Seillier, a justificativa do valor dos Correios com a privatização ser mais abaixo que o de mercado é por causa dos investimentos que serão aplicados em modernização e ampliação, além de impostos

Victor Meira | victor@jcconcursos.com.br
Publicado em 30/08/2021, às 09h26 - Atualizado às 13h51

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Ricardo Botelho/Ministério da Infraestrutura

A privatização dos Correios é um tema bastante polêmico. O governo federal, com um viés mais liberal, defende a diminuição do número de estatais para aumentar a concorrência privada na economia. Enquanto que os sindicatos defendem a manutenção do estado atual da empresa, uma vez que ela ainda gera lucros e oferece serviços a preços populares. Em meio ao debate, a secretária de privatizações do Ministério da Economia, Marta Seillier, afirmou que o valor da empresa de serviços postais será simbólico.

A declaração foi concedida em entrevista ao portal UOL. Seillier destaca que além do valor simbólico, o objetivo da venda dos Correios não é fazer caixa para o governo, mas em realizar, de modo indireto, a modernização e a ampliação da companhia.

A secretária entende que o preço menor, que deve ser bem baixo do que os ativos da empresa, no leilão será devido aos custos de operação que o comprador deverá assumir com a compra. Ela ainda ressalta que além da obrigação de manter os serviços postais, como a entrega de cartas e correspondências, a empresa privatizada terá que pagar impostos que, atualmente, os Correios não pagam. “Essa é a conta que estamos fazendo. Vai sobrar um valorzinho, vamos dizer assim, que é o quanto a gente vai pedir no leilão”, afirmou.

De acordo com Marta Seillier, o objetivo da privatização dos Correios não é arrecadar um grande valor, porém o governo pode receber um valor consideravelmente alto por causa do modelo de licitação em formato de leilão. “No fim das contas, o valor será simbólico. É claro que é uma empresa muito grande e a tendência é a gente ir para o leilão. Se tiver muita concorrência, haverá um ágio [diferença entre o lance mínimo e a proposta vencedora] e a gente vai acabar tendo um valor relevante na venda dos Correios. Mas esse não é o foco”, explica a secretária. 

Ela argumenta que se a intenção da equipe econômica fosse arrecadar um valor alto e cobrar caro demais, o número de compradores seria reduzido, além de faltar dinheiro para investimentos de modernização e ampliação dos Correios

Em relação a um valor mínimo dos Correios, Seillier disse que será possível estimá-lo após a finalização da segunda fase de estudos da privatização da companhia, que está sendo conduzido pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento). O resultado do estudo deve ser divulgado em setembro. 

O projeto de lei que regula a privatização dos Correios já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas o texto ainda será apreciado pelos senadores. Somente após o Senado aprovar o texto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) irá sancionar a medida. 

Conforme relata o balanço contábil dos Correios em 2020, a empresa conta com um patrimônio líquido de R$ 950 milhões (valor dos ativos menos o dos passivos). O documento indica que os imóveis da companhia tem um valor de R$ 3,85 bilhões, no entanto eles podem estar defasados devido à pandemia de coronavírus.

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