Mais locais de prova

Obrigar um candidato a fazer grandes deslocamentos, além das despesas com transporte, e muitas vezes com hospedagem, aumenta a tensão podendo prejudicar o desempenho na prova

Redação
Publicado em 29/08/2011, às 15h53

De Lucca

Em um concurso, o candidato escolhe os locais das vagas que deseja concorrer dependendo do tipo do edital:

·  no ato da inscrição

·  após o concurso, de acordo com a sua classificação

Concursos municipais com provas aplicadas somente no município é um procedimento aceitável inclusive beneficiando os moradores da cidade que, em última análise, pagarão os salários dos novos contratados.

Certames estaduais em que os candidatos escolhem as vagas na inscrição ou dependendo da sua classificação, realizado nas principais cidades do Estado também é aceitável, desde que aplicado em vários locais, pois não há como aplicar as provas em todas as cidades.

O que não é razoável é a aplicação de provas de concursos estaduais ou federais, com vagas em várias localidades, aplicados em poucas cidades, muitas vezes, somente nas capitais.

Pior ainda é a modalidade adotada por alguns órgãos como para o cargo de auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em que além do candidato ter que optar na inscrição para qual região irá concorrer, também terá que fazer a prova em uma cidade desta região. Esta opção ocasiona algumas distorções nas notas dos aprovados, pois uma mesma nota poderá ser suficiente para a aprovação em uma região e insuficiente em outra. Melhor seria escolher as vagas conforme a classificação e prestar as provas em um local mais próximo possível das residências dos que disputam as vagas.

Obrigar um candidato de um concurso a fazer grandes deslocamentos quando são oferecidas vagas próximas a sua região é um procedimento muito prejudicial. Além das despesas com transporte, e muitas vezes com hospedagem, aumenta a tensão podendo prejudicar o desempenho na prova.

Muitos não têm condições de arcar com estas despesas e deixam de prestar o concurso, deixando de fora os que poderiam ser aprovados e tornarem-se ótimos funcionários públicos. É uma incoerência a legislação prever casos de isenção da inscrição de um concurso e obrigar a outros gastos com a prova, selecionando na prática, também em função do poder aquisitivo.

Os órgãos públicos deveriam espelhar-se nos exemplos dos vestibulares de instituições como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), ambas localizadas no interior paulista, mas que aplicam suas provas também em outros Estados.

Houve época em que os concursos eram divulgados somente nos Diários Oficiais e poucos tomavam conhecimento. As inscrições eram realizadas em poucos locais e o candidato tinha que se deslocar até o local de inscrição ou fazê-la por procuração. Hoje, a internet tornou o processo muito mais prático e democrático. Há inclusive concursos que fazem inscrições somente pela internet.

Com a evolução da tecnologia, é de esperar em um futuro não muito distante que os concursos sejam realizados a distância e os candidatos respondam de seus computadores, tablets, celulares ou utilizando outra tecnologia que ainda será disponibilizada. Enquanto isto, é dever dos órgãos públicos e das organizadoras, oferecer opções viáveis aos candidatos para que a seleção seja a mais justa e eficiente possível.

Bons estudos e sucesso na carreira pública.

Carlos Alberto De Lucca é professor e desde 1979 prepara candidatos para concursos públicos. cdelucca@uol.com.br .

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