O dia em que todos são iguais, ou não

No último domingo vivi uma experiência que há tempos não passava: fiz uma prova de concurso. Resolvi viver isso mais uma vez e tive uma grande percepção: todo mundo estava no mesmo barco

Daniel Sena
Publicado em 09/12/2015, às 16h02

No último domingo vivi uma experiência que há tempos não passava: fiz uma prova de concurso. Há uns cinco anos prestei um concurso para acompanhar os alunos e verificar em tempo real o nível das questões de direito constitucional, matéria da qual sou professor. Não havia me preparado, pois minha intenção era apenas a de resolver minhas questões e acompanhar os alunos com um apoio moral. Agora, resolvi viver isso mais uma vez depois de todo esse tempo e tive uma grande percepção: todo mundo estava no mesmo barco.

O dia do concurso é o dia em que todas as pessoas estão no mesmo barco, são todas iguais. O horário da prova é o mesmo, a cadeira é a mesma, o procedimento é o mesmo, a prova é a mesma. A princípio, o dia do concurso é o dia em que todos são iguais, ou não.

Ao mesmo tempo em que a prova iguala a todos, ela também diferencia. Iguala na medida em que todos são tratados da mesma forma e enfrentam o mesmo desafio nas mesmas condições. Diferencia na proporção de como cada um chegou no dia da prova, como se preparou, como está emocionalmente.

Quanto à igualdade do concurso, não precisamos tecer maiores comentários, pois essa é uma das essências do concurso público como concretização de vários princípios constitucionais, como os da isonomia e da impessoalidade.

Mas quando pensamos nas distinções, algumas considerações precisam ser feitas no sentido de auxiliar aqueles que pretendem entrar nessa vida. A primeira distinção no dia da prova está exatamente na preparação. Ela é fundamental. Quem se prepara de forma eficiente, enfrenta a mesma prova, mas com uma vantagem sobre quem não se preparou de forma adequada.

A preparação é essencial considerando que as questões que aparecerão na prova são as mesmas feitas nos exercícios e aprendidas nas aulas ou mesmo nos materiais de estudo. Quanto maior a visão do mundo das questões, maior será a chance de encontrar as mesmas questões no dia da prova. Por isso, sempre digo que as questões potencializam o estudo. A quantidade de questões resolvida na preparação é diretamente proporcional ao sucesso no concurso. O camarada que só estuda lendo ou assistindo aula acaba por limitar sua compreensão das questões de prova. É fácil perceber se o camarada não faz questão. Alguns dos sintomas são: não evolui a nota, mantendo-se na mesma faixa de pontuação nos simulados; lê a questão, lembra da matéria, mas não sabe a resposta; não percebe os pontos cegos das questões, que geralmente se caracterizam com termos genéricos ou muito específicos; costuma “bater na trave” nos concursos.

Uma preparação de qualidade tem que ser completa. Tem que ter leitura da matéria e do texto de lei, tem que ter explicação do professor, tem que fazer exercício, tem que treinar nos simulados e tudo mais que te ajudar nesse momento. A deficiência em qualquer situação refletirá na prova.

Outro critério distintivo no dia da prova é o estado emocional. Algumas pessoas colocam sobre suas costas a responsabilidade de ser aprovado e vão para a prova carregando um elefante. Quem faz prova sem controle emocional diminui sua capacidade de foco. Uma mente agitada gasta energia com coisas que não importam nesse dia. No dia da prova é fundamental que o candidato esteja bem. Bem consigo mesmo e com a experiência do dia. Durante a preparação, um estado emocional motivado ajuda o concurseiro a manter-se no caminho, andando sempre para frente. Ainda que caia, ainda que tropece, ele tem força suficiente para levantar-se e continuar andando. A força de quem quer passar não pode cessar nunca. E se cair 70 vezes, levantará 71, até passar. Posso afirmar que a maioria das pessoas que desistem desse sonho o faz não por falta de conhecimento, mas principalmente por falta de motivação.

Essas duas forças, a preparação e a motivação, formam uma energia insuperável. Quem as alimenta, passa. Quem estuda e se equilibra emocionalmente, chega onde quiser, passa no concurso que desejar. Não importa o tempo. Alguns passarão em três meses, outros passarão em dois anos, e eu conheço quem tenha demorado seis anos para ser aprovado. Mas no dia em que se chega ao objetivo, não há mais diferença. Todos são iguais. Opa, então espere um pouco. Pensando melhor, existem dois dias em que todos são iguais, ou não. No dia da prova e no dia da aprovação. Agora cabe a você escolher onde quer estar no dia em que ser diferente fará a diferença.

Daniel Sena, coordenador do Focus Concursos, professor de direito constitucional e especialista em concursos públicos. Facebook: /ProfDanielSena. Twitter: @ProfDanielSena. YouTube: ProfDanielSena.

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