Afastamento por Covid-19: empresas sofrem pela falta de funcionários

Explosão de casos e afastamento por Covid-19 exige cuidado pelas empresas privadas e órgãos públicos. Veja serviços que já sofrem pressão

Ricardo de Oliveira - jrloliveira@jcconcursos.com.br
Publicado em 09/01/2022, às 07h01 - Atualizado às 08h01

Variante Ômicron (Covid-19) já afasta milhares funcionários em todo o Brasil
Variante Ômicron (Covid-19) já afasta milhares funcionários em todo o Brasil - Afastamento por Covid-19 - Ômicron - Divulgação

O afastamento por Covid-19, de milhares de funcionários públicos ou privados, em função da nova variante Ômicron, já é uma realidade.

O ano mal começou e já presenciamos uma explosão no aumento de casos de pessoas infectadas pela nova variante Ômicron (Covid-19), ou que apresentam sintomas similares a Influenza, que também possui uma nova variante no ar, a H3N2. O mundo já ultrapassa mais de 2,5 milhões de novas pessoas infectadas por dia e o Brasil segue em tendência de alta dia após dia. Com isso, empresas já se preparam para o pior, vivendo um verdadeiro pesadelo pela falta de profissionais habilitados para atuar na linha de frente.

Gráfico de aumento de casos da Covid-19
Gráfico do WorldoMeters mostra aumento dos casos de covid-19 no mundo


As novas orientações repassadas pelas páginas do governo federal também já orientam empresas que não tem necessidade de trabalho presencial, que permaneçam com o trabalho remoto até que as situações se normalizem.

Navios de cruzeiro marítimo 

Os dados referentes ao cenário epidemiológico a bordo das embarcações de navios de cruzeiro que operam na costa brasileira durante a temporada 2022 reforçam a Nota técnica da Anvisa, expedida na última sexta-feira (31/12), que recomendou ao Ministério da Saúde a suspensão provisória imediata da temporada de navios de cruzeiro no Brasil.

Até a última segunda-feira (3/1), foram confirmados 829 casos de Covid-19 entre tripulantes e passageiros das cinco embarcações que operam no Brasil. Chama a atenção a identificação de 502 casos entre tripulantes, o que representa 60% dos casos positivos a bordo das embarcações.

Vale ressaltar que desde agosto de 2021, a Anvisa já havia se manifestado pela inviabilidade da retomada da temporada de navios de cruzeiro no Brasil, a qual deveria estar condicionada à avaliação do cenário epidemiológico do país. As recomendações e ações por parte da Agência foram pautadas em critérios técnicos e sanitários, a partir das melhores evidências disponíveis e com fundamento no princípio da precaução, com a finalidade de reduzir o risco de ocorrência de agravos à saúde.

Aumento de casos e internações por covid-19

Diante da falta dos dados que são utilizados para análise da evolução da pandemia, o boletim extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado sexta-feira (7/1), traz  o indicador com taxas de ocupação de leitos de UTI para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) destinados à Covid-19. O momento atual, que conta com a circulação e crescimento rápido de casos de uma nova variante, a Ômicron, logo após as festas de fim de ano e maior circulação de pessoas, desenha um novo cenário epidemiológico.

Em comparação aos registros obtidos em 20 de dezembro de 2021, dados relativos a 5 de janeiro de 2022 mostram aumentos relevantes no número de pacientes internados nesses leitos. A análise aponta que, na entrada de 2022, comparações do indicador entre Unidades da Federação e por Unidade da Federação no decorrer do tempo mostram-se mais complexas. Veja as taxas Estado por Estado:

  • Tocantins (23% para 62%, com queda de 122 para 87 leitos)
  • Piauí (47% para 52%, com aumento de 106 para 130 leitos)

Nas capitais, chamam a atenção as taxas críticas observadas em Fortaleza (85%), Maceió (85%) e Goiânia (97%), e as taxas na zona de alerta intermediário observadas em Palmas (66%), Salvador (62%) e Belo Horizonte (73%). Também se sublinha um “estranhamento” frente às taxas do estado do Rio de Janeiro e sua capital, que se mantêm relativamente estáveis em níveis muito inferiores àqueles observados nas demais unidades federativas.

Além da nova variante Ômicron, o cenário atual conta com uma epidemia de influenza pelo vírus H3N2. Os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz observam que elementos como maior circulação de pessoas e eventos com aglomeração nas festas de fim de ano contribuem para impactar negativamente a dinâmica da pandemia e nossa capacidade de enfrentamento, com impactos sobre a saúde da população e o sistema de saúde.

“O enfrentamento de uma pandemia sem os dados básicos e fundamentais pode ser comparado a dirigir um carro em um nevoeiro, com pouca visibilidade e sem saber o que se pode encontrar adiante. Além disso, vai na contramão de outros países, que passaram a produzir e disponibilizar dados de modo público e transparente para melhor compreender e enfrentar a dinâmica da Covid-19”, ressaltam.

Ocupação de leitos de UTI Covid-19

Quatro estados encontram-se na zona de alerta intermediário e vinte e um estados e o Distrito Federal encontram-se fora da zona de alerta. Três estão na zona de alerta crítico:

  • Fortaleza (85%)
  • Maceió (85%)
  • Goiânia (97%)

Três estão na zona de alerta intermediário:

  • Palmas (66%)
  • Salvador (62%)
  • Belo Horizonte (73%)

As demais, com taxas divulgadas, estão fora da zona de alerta:

  • Porto Velho (44%)
  • Rio Branco (10%)
  • Manaus (34%)
  • Macapá (40%)
  • São Luís (30%)
  • Natal (34%)
  • João Pessoa (32%)
  • Vitória (56%)
  • Rio de Janeiro (2%)
  • São Paulo (35%)
  • Curitiba (46%)
  • Florianópolis (42%)
  • Porto Alegre (57%)
  • Campo Grande (47%)
  • Cuiabá (36%)
  • Brasília (57%).

Vale salientar que as taxas observadas não são comparáveis àquelas verificadas no pior momento da pandemia, há quase um ano, considerando a redução no número de leitos destinados à Covid-19. 

Os pesquisadores chamam atenção que em um cenário de rápida transmissão, com aumento abrupto de casos novos, a demanda pelo serviço de saúde pode se tornar um obstáculo ao diagnóstico rápido e tratamento oportuno e sobrecarregar o sistema de saúde, caso ele não esteja preparado para enfrentar este novo cenário. Além disso, a situação pode ser agravar sem dados epidemiológicos disponíveis sobre o que está está ocorrendo.

Falta de testes de covid-19

Muitos hospitais privados já relatam sobrecarga no sistema de atendimento em pronto-socorro ou internações, também em função do aumento do número de funcionários afastados, que retornaram das festas de fim de ano apresentando sintomas da Ômicron ou Influenza. Além disso, a explosão de casos aumentou exponencialmente os pedidos de testes rápidos realizados em farmácias e laboratórios, esgotando rapidamente em muitos locais. A falta de dados intregrados do SUS mais a falta de testes rápidos pode ser a tempestade perfeita para o aumento de contamizações.

Empresas paralisam operações

Nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova York, segundo a CNN, muitas estações de trem já paralisaram suas operações alegando a falta de funcionários com o aumento de contamidados. O mesmo ocorreu com a empresa aérea Azul, que informou um impacto de 10% em voos programados para janeiro após um "alto número de dispensas médicas" entre funcionários que trabalham nos voos e também nas áreas administrativas.

Outras empresas de diversos setores da economia, principalmente ligadas a transporte e operacionais estão em alerta com a possibilidade de redução do quadro de funcionários.

Afastamento por Covid-19 (variante Ômicron)

Na última sexta-feira (07/01), o TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) divulgou um alerta sobre a prevenção pela H3N2 (gripe Influenza) e da Ômicron ( variante Covid-19) para grupos de risco, transmissão e sintomas das doenças, além de fornecer orientações sobre afastamentos de servidores em caso de contágio.

"Os atestados médicos protocolados com hipóteses diagnósticas de Covid-19 suspeita (casos de influenza sem confirmação diagnóstica) ou confirmada, serão tratados da mesma forma, ou seja, será concedido pela SGP-5 14 dias de licença médica, independente do tempo prescrito no atestado", diz o comunicado.

Segundo o tribunal, assim como com a Covid-19, a orientação é para que pessoas com sintomas gripais não se dirijam ao trabalho presencial, devendo procurar serviço médico.

Segundo comunicado, os funcionários públicos que realizarem o teste de secreção nasal ou de orofaringe (sweb) para Covid-19 e este resultar negativo, poderão retornar ao trabalho, desde que reúnam condições clínicas. 

Dessa forma, empresas do setor privado devem utilizar os mesmos procedimentos adotados pelo governo, a fim de preservar a saúde dos funcionários, além de riscos maiores a população.

COMUNICADO SGP nº 1/2022 - Orientações do TJ-SP

Segundo comunicado do órgão, as medidas de prevenção para Covid-19 também são válidas para Influenza (H3N2).

  • Não comparecer no trabalho presencial, caso apresente sintomas gripais;
  • Higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool gel;
  • Uso correto da máscara cobrindo nariz e boca;
  • Distanciamento social;
  • Manter a imunização contra COVID 19 atualizada

Em caso de dúvidas, o órgão coloca um e-mail disponível para contatos dos servidores (relatoriocovid19@tjsp.jus.br).

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